Presos políticos sofrem 'dupla tragédia' após terremotos na Venezuela, denunciam ONGs
Centenas de presos políticos ainda mantidos na Venezuela sofrem uma "dupla tragédia" após os dois fortes terremotos que atingiram o norte do país há quase um mês, denunciaram ONGs e defensores dos direitos humanos nesta quarta-feira (22).
Dois tremores de magnitude 7,2 e 7,5 sacudiram o país em 24 de junho, sobretudo no estado de La Guaira, vizinho da capital, Caracas.
@@NOTICIAS_RELACIONADAS@@
Pelo menos 5.346 pessoas morreram e 16.740 ficaram feridas, segundo números oficiais.
Prédios inteiros desabaram em escombros, dos quais voluntários e equipes de resgate ainda recuperam corpos.
"Após esses terremotos, devemos afirmar com responsabilidade que não houve resposta oportuna do Estado venezuelano para a evacuação dos presos políticos", denunciou em entrevista coletiva a ativista Andreína Baduel, acompanhada por representantes de ONGs como a Anistia Internacional e a organização local Provea.
As evacuações em centros penitenciários como a prisão militar de Ramo Verde e Rodeo I, ambas nos arredores de Caracas, ocorreram de forma "tardia", segundo Baduel.
"Eles ficaram 50 minutos sem ser evacuados" após o duplo terremoto, questionou a ativista, que pede a libertação de seu irmão, Josnars Baduel.
Na Venezuela, 372 pessoas continuam presas por motivos políticos, segundo a ONG Foro Penal, encarregada de sua defesa.
"Eles já viviam uma calamidade, que hoje se transforma em uma dupla tragédia", afirmou Baduel, do Comitê pela Liberdade dos Presos Políticos (Clippve).
Em uma torre da prisão de Ramo Verde, "o quinto andar sofreu graves danos" devido ao terremoto e os detentos "foram obrigados a permanecer nas celas porque são ameaçados com transferência para outras prisões", denunciou a ativista na coletiva, que contou com a presença de familiares de presos políticos.
"A crise hoje agravada pelos terremotos não pode abrir parênteses na luta pela liberdade e pela democracia.
É um chamado da história para fazer as coisas da forma correta", destacou Oscar Murillo, coordenador da Provea.
Delcy Rodríguez assumiu a presidência interina da Venezuela após a captura do mandatário Nicolás Maduro em uma operação militar dos Estados Unidos em janeiro.
Sob forte pressão de Washington, ela promoveu em fevereiro uma lei de anistia para libertar centenas de presos políticos.
No entanto, especialistas criticam o instrumento por considerá-lo insuficiente.
