Preso em megaoperação na Bolívia, narcotraficante uruguaio Sebastián Marset é enviado aos EUA, que o procuravam há três anos
O narcotraficante uruguaio Sebastián Marset, procurado pelos Estados Unidos e outros países latino-americanos, foi detido nesta sexta-feira em Santa Cruz de la Sierra, no leste da Bolívia, durante uma megaoperação que envolveu a DEA (Administração de Repressão às Drogas dos EUA). Após a prisão, segundo o ministro do governo boliviano, Marset foi deportado para os EUA, onde será julgado. De acordo com o Ministério do Interior do Uruguai, "outras quatro pessoas ligadas à sua organização também foram detidas".
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— A prisão e a deportação foram realizadas em cumprimento a uma ordem judicial expedida pelo sistema judiciário americano e ele foi transferido para os Estados Unidos — afirmou o ministro do governo da Bolívia, Marco Antonio Oviedo, durante coletiva de imprensa.
Marset estava foragido desde 2023 e suspeitava-se que circulava por vários países sul-americanos, como Venezuela, Brasil e Paraguai. O Departamento de Justiça dos Estados Unidos oferecia US$ 2 milhões (cerca de R$ 10,4 milhões) por informações que levassem à sua captura.
Em julho de 2023, Marset fugiu da casa onde morava em Santa Cruz, um dia antes de uma megaoperação para capturá-lo, junto com sua esposa e seus filhos. Em maio do ano passado, o Departamento de Justiça dos EUA anunciou a abertura de um processo de acusação contra ele por "lavagem de dinheiro" proveniente de lucros do narcotráfico por meio de instituições financeiras americanas.
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Após sua fuga, as autoridades bolivianas abriram processo contra ele por tráfico de drogas e lavagem de dinheiro, enquanto a Interpol emitiu um alerta vermelho para sua captura. O uruguaio também é procurado pelas autoridades do Paraguai e do Brasil em investigações ligadas a redes internacionais de narcotráfico.
De acordo com o jornal El Pais, o traficante, que era o terceiro criminoso mais procurado pela DEA, não possui processos em aberto no Uruguai, o que inviabiliza qualquer pedido de extradição por parte da Justiça local.
Em entrevista à rádio paraguaia Radio Monumental, o ministro do Interior do Paraguai, Enrique Riera, já havia antecipado que os Estados Unidos teriam prioridade na extradição de Sebastián Marset.
— Pode haver um acordo de alto nível ou talvez uma questão de prioridades devido à gravidade dos crimes, e ele poderia ser extraditado para os Estados Unidos ou julgado aqui — explicou Riera, horas antes do traficante ser, de fato, deportado para os EUA.
Pressão dos EUA sobre a América Latina
Por toda a América Latina, cartéis têm guerreado entre si e com as autoridades locais para produzir cocaína e contrabandeá-la para os Estados Unidos. O Equador, maior exportador mundial da droga, não a produz, mas serve como rota de tráfico para grupos criminosos que atuam na Colômbia e no Peru.
Na semana passada, o presidente dos EUA, Donald Trump, realizou uma reunião de cúpula em seu clube de golfe em Doral, na Flórida, com uma dúzia de governantes aliados. Além de Nayib Bukele, presidente de El Salvador, Javier Milei, da Argentina, e Daniel Noboa, do Equador, Trump recebeu os presidentes da Bolívia, Costa Rica, República Dominicana, Honduras, Panamá, Paraguai, Guiana e Trinidad e Tobago, além do presidente eleito do Chile, José Antonio Kast.
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Os convidados compartilham a preocupação de Washington com o avanço do crime organizado no continente, um fenômeno que afeta inclusive países que até recentemente eram considerados bastante seguros, como Chile e Equador, segundo Irene Mia, especialista em América Latina no Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS, na sigla em inglês).
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Também na semana passada, o general Francis L. Donovan, chefe do Comando Sul, se encontrou com Noboa e altos funcionários equatorianos, em Quito, "para discutir cooperação em segurança e reafirmar o forte compromisso dos Estados Unidos em apoiar os esforços do país para enfrentar o narcoterrorismo e fortalecer a segurança regional".
O Equador se tornou um aliado-chave sul-americano dos Estados Unidos desde que Trump retornou ao poder, em janeiro de 2025, e iniciou uma campanha contenciosa contra supostos barcos traficantes de drogas na América Latina. Desde o início de setembro do ano passado, os EUA mataram, pelo menos, 150 pessoas em 44 ataques conhecidos contra barcos no Caribe e no Pacífico Oriental que, sem apresentar provas, a administração Trump afirmou estarem transportando drogas.
Noboa, que centrou sua presidência no uso da força militar para combater a violência dos cartéis, que levou a um número recorde de homicídios no país, buscou construir uma aliança próxima com Trump. No ano passado, o presidente equatoriano tentou permitir que os EUA estabelecessem bases militares no seu país, medida que foi amplamente derrotada em um referendo, em novembro.
(Com AFP)
