Presidente peruano gera crise diplomática após culpar judeus pela Segunda Guerra
O presidente interino do Peru, José María Balcázar, afirmou que a Alemanha iniciou a Segunda Guerra Mundial "em parte por causa dos judeus", uma declaração condenada como "absurda" e "antissemita" nesta quarta-feira pelas embaixadas alemã e israelense em Lima. As declarações foram feitas na noite de terça-feira durante um discurso para líderes empresariais em comemoração ao 138º aniversário da Câmara de Comércio de Lima. Balcázar fez alusão ao livro "Os Inimigos do Comércio", do filósofo espanhol Antonio Escohotado.
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"Como é possível que a Alemanha tenha sido levada à guerra também em parte por causa dos judeus, porque eles controlavam todos os bancos, todo o comércio e praticavam a usura?", questionou o presidente peruano.
As embaixadas israelense e alemã, em uma declaração conjunta, afirmaram que a fala do presidente "é absurda, historicamente insustentável e viola a memória de milhões de cidadãos judeus alemães assassinados pelos nazistas".
"O Holocausto não pode ser banalizado [...]. Devemos rejeitar todas as formas de antissemitismo" e, portanto, "esperamos que o presidente Balcázar se retrate", acrescentaram.
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A presidência peruana lamentou nas redes sociais que as declarações "tenham gerado uma percepção distorcida do povo judeu", mas evitou retratá-las e enfatizou que as observações "refletem a opinião do escritor espanhol", falecido em 2021.
"O Estado peruano sempre sustentou que o fanatismo nazista foi a causa daquela guerra e o responsável pelo genocídio imperdoável do povo judeu", afirmou a presidência.
A comunidade judaica do Peru também repudiou as declarações de Balcázar e as denunciou como "argumentos de tempos medievais sombrios" que culpam as vítimas pelo próprio Holocausto.
