Presidente interina diz que Venezuela libertou 406 presos políticos desde dezembro; ONGs falam em apenas 180
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, afirmou nesta quarta-feira que 406 presos políticos foram libertados desde dezembro, num processo que, segundo ela, foi iniciado por Nicolás Maduro, deposto após operação militar dos EUA em Caracas em 3 de janeiro. Segundo Delcy, seu país "está se abrindo para um novo momento político".
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— A mensagem é de uma Venezuela que se abre para um novo momento político, que permite a compreensão a partir da divergência e da diversidade política e ideológica — disse a repórteres no Palácio Presidencial de Miraflores, em Caracas.
O governo interino de Delcy anunciou em 8 de janeiro um processo de libertação de um número "significativo" de presos políticos sob pressão dos Estados Unidos. Mas a ONG especializada Foro Penal contabiliza cerca de 180 libertações desde então, somando dois lotes em dezembro e os libertados no processo atual, que avança aos poucos.
Uma nova rodada de libertações ocorreu na quarta-feira, na qual 17 jornalistas e profissionais da imprensa foram libertados, incluindo o renomado ativista da oposição Roland Carreño.
— Queremos informar que ainda não foi concluído; esse processo permanece em aberto — afirmou a presidente interina.
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Delcy explicou que o processo de libertação inclui crimes relacionados à "ordem constitucional", bem como "ódio, violência e intolerância", e não "crimes graves" como homicídio e tráfico de drogas.
Centenas de pessoas foram presas e processadas sob acusações de "incitação ao ódio" e "traição à pátria", especialmente no contexto de eleições e protestos da oposição.
Rocío San Miguel, presa em fevereiro de 2024, ex-candidato presidencial Enrique Márquez, que foi detido em janeiro de 2025, e Juan Pablo Guanipa (ex-governador de Zulia e líder do partido ¨Primer Justicia¨) figuram na primeira lista de libertos pelo chavismo
Arte O GLOBO
Entre os primeiros libertados estavam o ex-candidato presidencial Enrique Márquez, que foi solto juntamente com o ativista Biagio Pilieri. Rocío San Miguel, que tem dupla cidadania, foi libertada junto com outros quatro espanhóis e viajaram para Madri.
A ONG Foro Penal estima que a Venezuela tenha atualmente 806 presos por razões políticas, entre eles 175 militares. Em 2024, a mesma ONG anunciou que o país tinha o maior número de presos políticos dos últimos 25 anos, com cerca de 1.780 detidos. Na ocasião, a Venezuela tinha apresentado um aumento considerável nas detenções após as eleições contestadas de 28 de julho, quando Maduro foi proclamado o presidente eleito. Do total de detidos, 114 eram menores.
