Presidente do TST diz que debate sobre penduricalhos se impõe e defende 'correção de rota' e fim de 'remuneração não transparente'
O presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, afirmou que o debate sobre os chamados penduricalhos — verbas extras que elevam os salários no Judiciário — é inevitável e defendeu mudanças para aumentar a transparência na remuneração de magistrados. Segundo ele, o próprio sistema de Justiça precisa promover uma correção de rota para recuperar a confiança na sociedade.
— Eu acredito que a união de todos nós fará com que conquistemos de volta a confiança da sociedade, mas que sejamos capazes de corrigir rotas — disse.
Mello Filho reconheceu que práticas consideradas inadequadas precisam ser enfrentadas dentro do próprio sistema de Justiça. Entre elas, citou casos de remunerações pouco transparentes, possíveis conflitos de interesse e comportamentos que possam comprometer a imagem do Judiciário.
O magistrado também destacou que o momento exige maior abertura do Judiciário ao diálogo público. Segundo ele, o TST tem mantido interlocução constante com a imprensa em meio ao debate sobre supersalários e benefícios pagos a integrantes da magistratura.
— No Tribunal Superior, eu tenho enfrentado todo tipo de convulsão possível em razão desse momento. E eu tenho aberto o diálogo francamente para que nós possamos dizer claramente que a nossa missão será constituída, será efetivada com republicanismo — afirmou.
Ao final, o presidente do TST disse que a legitimidade do Judiciário depende da forma como seus integrantes respondem às críticas e aos desafios institucionais.
— Os juízes têm que servir. No momento de crise, o Poder Judiciário é essencial à democracia brasileira — declarou.
Ele ressaltou ainda que eventuais condutas individuais não podem ser confundidas com a atuação institucional da Justiça, mas afirmou que cabe aos próprios tribunais garantir que práticas inadequadas sejam corrigidas.
