Presidente do Parlamento iraniano ameaça EUA após reforço de tropas: 'não testem nossa determinação'

 

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O presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, alertou nesta quarta-feira (25) os Estados Unidos sobre a movimentação e novo deslocamento de tropas na região do Oriente Médio. Ghalibaf é relatado pela imprensa internacional como a autoridade do governo do Irã que estaria negociando com os EUA.

Em publicação nas redes sociais, ele disse que estão 'monitorando de perto todos os movimentos dos EUA'.

'Não testem nossa determinação em defender nossa terra', continua.

Ele acrescentou que as forças americanas poderiam 'ser vítimas' do que descreveu como as ações do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.

O alerta surge num momento em que os Estados Unidos enviam milhares de fuzileiros navais e navios de guerra adicionais para a região, mesmo enquanto as autoridades procuram possíveis negociações para pôr fim à guerra com o Irã.

Cerca de três mil soldados devem chegar nos próximos dias a região do Oriente Médio, além de novos navios de guerra, reforçando a incursão e participação americana na região.

Irã nega estar negociando com os EUA e afirma não ter recebido plano de 15 pontos de Trump

Donald Trump em discurso no Congresso dos EUA.

Kenny HOLSTON / POOL / AFP

Após o Paquistão ter dito que o Irã recebeu a proposta de um plano de 15 pontos para um acordo de paz com os Estados Unidos, o governo iraniano voltou a negar qualquer tipo de negociação em curso com os EUA e declarou não saber nada sobre o plano.

Inicialmente, o embaixador do Irã no Paquistão, Reza Amiri Moghadam, declarou que os detalhes foram ouvidos pela mídia, mas que, até o momento, 'não houve negociações, diretas ou indiretas, entre os dois países'.

Ele acrescentou que é 'natural que países amigos estejam sempre em consulta com ambos os lados para pôr fim a essa agressão ilegítima'.

Do outro lado, a Rússia foi questionada sobre o plano, afirmando que não recebeu por parte do Irã nenhuma confirmação sobre a proposta. A afirmação é do porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov.

Apesar disso, a agência de notícias Reuters afirma, citando uma fonte iraniana do alto escalão, que o Paquistão entregou uma proposta dos EUA a Teerã, e o local das negociações ainda está sendo discutido.

O presidente Donald Trump voltou a dizer que os Estados Unidos estão negociando o fim da guerra contra o Irã. O republicano disse que a Casa Branca está "conversando com as pessoas certas" em Teerã para encerrar a guerra, sem citar nenhum nome.

Trump contrariou a versão do Irã, que nega oficialmente ter se engajado em qualquer negociação com o governo americano desde o início dos combates.

'Eles vão fazer um acordo, eles vão fazer um acordo. Eles fizeram algo ontem que foi realmente incrível. Eles nos deram um presente e o presente chegou hoje. Foi um presente muito grande, que vale uma quantia tremenda de dinheiro. Não vou falar o que esse presente é, mas é relacionado a gás e óleo e foi uma coisa muito boa que eles fizeram, mas o que isso me mostrou é que estamos lidando com as pessoas certas'.

Trump também disse que os iranianos concordaram em "nunca desenvolver armas nucleares".

As declarações acontecem enquanto o Irã segue negando a existência de negociações e reafirma que vai participar das conversas apenas quando Israel e os Estados Unidos pararem com os ataques aéreos.

Segundo o jornal The New York Times, um plano de paz enviado pelo governo americano ao Irã tem 15 pontos. E propõe um cessar-fogo de 30 dias. Em troca, o regime se comprometeria a acabar com todo o enriquecimento de urânio e suspender o financiamento a grupos como o Hamas, na Faixa de Gaza, e o Hebollah, no Líbano.

O acordo também fala em transformar o Estreito de Ormuz, por onde passam 20% da produção mundial de petróleo e gás, numa zona de livre navegação – sem o controle do Irã.

O Financial Times publicou uma reportagem afirmando que o Irã informou aos Estados-membros da Organização Marítima Internacional que "embarcações não hostis" vão poder transitar pelo Estreito de Ormuz.

O comunicado foi feito após um grupo de 22 países composto por membros da Otan e aliados do Oriente Médio, da Ásia e da Oceania preparar uma "iniciativa" para reabrir o Estreito de Ormuz e "assegurar" a navegação segura e livre de navios.

Em meio a incertezas sobre as negociações entre Estados Unidos e Irã para encerrar o conflito no Oriente Médio, o preço do petróleo voltou a subir nesta terça-feira e ficar acima de 100 dólares por barril, após ter despencado mais de 10% na segunda-feira.

Uma pesquisa divulgada pela agência de notícias Reuters mostrou que Donald Trump chegou ao menor nível de aprovação desde o retorno à Casa Branca, com 36 por cento. E 61 por cento reprovam os ataques contra o Irã.

Nesta terça, Irã e Israel trocaram novos ataques. O ministro da Defesa israelense falou que o país vai estabelecer uma "zona de segurança" no sul do Líbano após destruir pontes na região. Segundo o governo de Israel, as estruturas eram utilizadas pelo Hezbollah.

O governo libanês diz que os ataques são uma tentativa de isolar geograficamente o sul do país e faz parte de planos suspeitos para estabelecer uma 'zona-tampão’.

Fogo após ataque israelense a Teerã, capital do Irã.

UGC/AFP