O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou nesta quinta-feira (5) que vai renunciar ao cargo, diante da crise no banco digital Ueno Bank, iniciada dois dias antes, o que levou grupos de paraguaios a tomar as ruas em protestos. Peña fez um pronunciamento em vídeo e publicou em seu perfil nas redes sociais.
Presidente do Paraguai apresenta renúncia em meio à crise no banco digital Ueno no país Crise no Ueno: como o banco digital do Paraguai foi à lona
Crise do Ueno Bank: Brasileiros têm dinheiro retido em banco digital que quebrou no Paraguai Na gravação de 2 minutos e 19 segundos, Peña afirmou que "nenhum cargo pode estar acima do bem-estar do Paraguai".
"Tomei a decisão de apresentar a minha renúncia à Presidência da República. Faço isso pensando na estabilidade do nosso país, na paz social e na necessidade de preservar as nossas instituições democráticas.
Faço-o com absoluto respeito à nossa Constituição Nacional e aos mecanismos institucionais e democráticos que estabelecemos para nós mesmos como Nação. Estou convencido de que nenhum cargo pode estar acima do bem-estar do Paraguai", adicionou.
Os órgãos reguladores do país intervieram após concluírem que o banco digital Ueno Bank estava subcapitalizado, o que anteriormente já havia provocado a renúncia do presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, e criado um problema político para o presidente. Um processo de impeachment contra o chefe de Estado foi aberto.
Segundo a imprensa paraguaia, o Congresso do país precisa aceitar a renúncia. Uma sessão sobre o assunto deve ser convocada.
Depois que o Banco Central do país assumiu o controle do Ueno, correntistas e aposentados clientes do banco digital paraguaio realizaram protestos no centro da capital, Assunção, e em frente à residência oficial do presidente do Paraguai, Santiago Peña, para exigir a devolução integral de seus recursos.
Peña é um importante aliado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na América Latina, que tem apresentado seu país como um paraíso fiscal de baixa tributação para investidores estrangeiros. Ainda na terça-feira, no início da crise, Peña descartou repetidamente as preocupações sobre o balanço patrimonial do Ueno Bank, criticando a atenção da imprensa, que, segundo ele, tinha a intenção de provocar temor na população.
Confira a tradução da íntegra do pronunciamento de Santiago Peña: "Queridos compatriotas, hoje me dirijo a vocês em um dos momentos mais difíceis da minha vida, com o coração voltado para o Paraguai e com a convicção de que a nossa República deve estar sempre acima de qualquer pessoa ou circunstância.
A história se encarregará de julgar e colocar na sua devida dimensão os acontecimentos que hoje nos toca vivenciar. Tomei a decisão de apresentar a minha renúncia à Presidência da República.
Faço isso pensando na estabilidade do nosso país, na paz social e na necessidade de preservar as nossas instituições democráticas. Faço-o com absoluto respeito à nossa Constituição Nacional e aos mecanismos institucionais e democráticos que estabelecemos para nós mesmos como Nação.
Estou convencido de que nenhum cargo pode estar acima do bem-estar do Paraguai. Também quero pedir desculpas ao povo, caso eu tenha falhado em algum momento.
Nunca foi minha intenção defraudar a confiança que depositaram em mim. A cada dia, assumi esta responsabilidade com a vontade de trabalhar pelo Paraguai.
Mas, hoje, a minha prioridade é uma só: a tranquilidade dos paraguaios que confiaram as suas economias ao nosso sistema financeiro. Por trás de cada depósito, há anos de esforço, sacrifício e projetos familiares.
O meu maior desejo é que seja garantida a preservação desses recursos, que o Fundo de Garantia de Depósitos cumpra a sua finalidade e que sejam protegidos os fundos públicos e os recursos que pertencem a todos os paraguaios. Queridos compatriotas, somos um país que atravessou momentos muito difíceis e que sempre soube se reerguer.
Confio profundamente na força do nosso povo e na capacidade das nossas instituições para superar esta situação. Hoje, devemos demonstrar, mais uma vez, que a democracia é respeitada, que as instituições são preservadas e que o Paraguai está acima das nossas diferenças.
Nenhum cargo é mais importante do que a estabilidade da República. Nenhuma pessoa está acima do Paraguai.
Agradeço pela confiança em cada momento vivido e por terem me dado a honra de servir a esta grande nação. Que Deus abençoe cada família paraguaia e que Deus abençoe o Paraguai."
Valores bloqueados O banco Ueno Bank, que atende 40% da população do país, fechou as portas e bloqueou o acesso de clientes a contas e investimentos, após ser considerado insolvente.
Uma instituição financeira é considerada insolvente quando não consegue honrar seus compromissos. Para evitar que a situação piorasse, o BC paraguaio interveio no Ueno.
Promessa: BC do Paraguai vai devolver R$ 14 milhões a clientes do Ueno Bank, a partir desta sexta-feira O episódio levou à prisão preventiva de oito executivos ou ex-executivos do banco e à renúncia do presidente e mais dois diretores da autoridade monetária, além de desencadear uma crise política e levar centenas de paraguaios às ruas para exigir que recebam o dinheiro imediatamente.
Os recursos estavam bloqueados desde terça-feira, quando o Banco Central do Paraguai interveio no Ueno Bank. Nesta quinta, a instituição anunciou que vai devolver R$ 14 milhões a clientes do banco, a partir desta sexta-feira.
Os clientes do banco digital paraguaio receberão hoje um e-mail informando o valor que terão a receber e a conta para a qual o dinheiro será transferido, segundo o jornal paraguaio Hoy. Quem possui contas em outros bancos receberá os recursos por meio dessas instituições.
Para quem não tem outra conta, será aberta uma conta provisória em outro banco. Ao todo, serão transferidos 16 trilhões de guaranis ou US$ 2,6 milhões (cerca de R$ 14 milhões).
O Globo