Presidente do Irã promete vingança após morte de Khamenei em ataques de EUA e Israel: 'dever e direito legítimo'

 

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O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou neste domingo que o país considera um “dever” responder à morte do líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, ocorrida após ataques atribuídos aos Estados Unidos e a Israel. Em comunicado divulgado pela televisão estatal, o dirigente declarou que a retaliação é um “direito legítimo” da República Islâmica.

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“A República Islâmica do Irã considera seu dever e direito legítimo vingar os perpetradores e mentores deste crime histórico”, afirmou Pezeshkian.

A declaração ocorre em meio a uma escalada de tensões no Oriente Médio e a uma onda de protestos em diferentes países da região após a confirmação da morte de Khamenei pela mídia estatal iraniana no sábado. O governo anunciou luto nacional de 40 dias.

Protestos e ataques a representações americanas

A reação nas ruas foi imediata. No Paquistão, ao menos duas pessoas morreram durante um protesto diante do consulado dos Estados Unidos em Karachi. Centenas de manifestantes tentaram invadir o prédio e foram dispersados com gás lacrimogêneo.

Vídeos publicados nas redes sociais mostram jovens quebrando janelas do edifício enquanto a bandeira americana tremulava sobre o complexo, cercado por arame farpado. Em uma gravação, um manifestante afirma que o grupo tentava incendiar o consulado em vingança pela morte do líder iraniano.

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Equipes de resgate disseram à AFP que os corpos das vítimas foram levados a hospitais após os confrontos. Protestos também foram registrados em Lahore, onde multidões tomaram as ruas.

No Iraque, centenas de pessoas se concentraram nas proximidades da Zona Verde, em Bagdá, área fortemente protegida que abriga prédios do governo e a embaixada dos Estados Unidos. Jornalistas da AFP relataram bloqueios de segurança enquanto manifestantes tentavam avançar em direção ao complexo diplomático.

Alguns participantes atiraram pedras contra as forças de segurança, que responderam com gás lacrimogêneo. Um manifestante que se identificou como Ali disse à AFP que a morte de Khamenei “feriu” muitos na região e que o objetivo do protesto era pressionar pela retirada das tropas americanas do Iraque.

Segundo uma fonte de segurança citada pela agência, as tentativas de invasão haviam sido contidas até o momento, embora os manifestantes continuassem pressionando as barreiras.

Ameaças de retaliação

Autoridades iranianas também elevaram o tom nas declarações públicas. O chefe de segurança do país, Ali Larijani, prometeu novos ataques contra os Estados Unidos e Israel.

“Ontem, o Irã lançou mísseis contra os Estados Unidos e Israel, e eles causaram danos. Hoje, nós os atingiremos com uma força que eles nunca experimentaram antes”, escreveu Larijani em uma publicação na rede X.

Ataque que matou o líder iraniano

A morte de Khamenei foi confirmada pela mídia estatal do Irã após ataques realizados no sábado contra alvos no país. Horas antes do anúncio oficial, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, havia declarado que o líder iraniano estava morto e afirmou que o episódio poderia representar uma oportunidade para que o povo iraniano “recupere seu país”.

Segundo veículos iranianos, a filha, o genro e uma neta do líder também morreram nos bombardeios. Em publicação na rede Truth Social, Trump elogiou a atuação das forças americanas e afirmou que a operação foi conduzida em estreita cooperação com Israel.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, disse que havia “fortes indícios” da morte de Khamenei após um ataque surpresa contra um complexo em Teerã. Segundo ele, comandantes da Guarda Revolucionária e outras autoridades do regime também foram mortos.

Os ataques atingiram diferentes pontos do país e provocaram explosões na capital iraniana. O Irã respondeu com lançamentos de mísseis contra Israel, enquanto vários países da região fecharam seus espaços aéreos e emitiram alertas de segurança.

Diante da escalada militar e das reações nas ruas, autoridades internacionais acompanham com preocupação os desdobramentos do conflito, que ameaça ampliar ainda mais a instabilidade no Oriente Médio.