Presidente do instituto que mede a inflação na Argentina renuncia
O presidente do Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec), responsável por medir a inflação na Argentina, renunciou nesta segunda-feira ao cargo que ocupava desde 2019, informou uma fonte do organismo. Marco Lavagna apresentou sua demissão após liderar a reforma da metodologia para medir a inflação, cujo primeiro resultado sob as novas normas será divulgado no próximo dia 10.
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As razões da renúncia não foram divulgadas.
— Chama-nos poderosamente a atenção a renúncia a oito dias da divulgação do novo índice— disse o delegado dos trabalhadores do Indec, Raúl Llaneza. — Exigimos um Indec independente do poder político — declarou ao jornal La Nación.
Lavagna é um economista próximo do líder opositor peronista e ex-candidato presidencial Sergio Massa.
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Sua permanência à frente do Indec quando o presidente argentino, o ultraliberal Javier Milei, assumiu o cargo em dezembro de 2023 deu um marco de transparência e credibilidade ao organismo responsável por divulgar a evolução da inflação, cuja queda o governo apresenta como seu principal êxito.
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A inflação caiu de 211,4% em 2023, quando Milei desvalorizou o peso pela metade, para 31,5% em 2025, o nível mais baixo em oito anos.
No entanto, a última medição de dezembro mostrou que os preços aumentaram 2,8%, uma tendência de alta iniciada em junho do ano passado.
Esses números correspondem à antiga metodologia, que foi atualizada para refletir de forma mais fiel as mudanças de preços na cesta de consumo, na qual os gastos com moradia e serviços públicos têm maior peso.
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A metodologia antiga utilizava uma cesta de preços de 2004, sem considerar gastos com telefonia móvel, internet ou televisão por assinatura, entre outros. A nova tomará como base a pesquisa de renda e despesas dos domicílios de 2017–2018 e será ajustada às recomendações internacionais, segundo o organismo.
No fim de 2025, já haviam ocorrido várias renúncias no Indec em meio a um conflito por baixos salários.
