Presidente do Equador acusa Petro de promover 'incursão' guerrilheira a partir da Colômbia

 

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O presidente do Equador, Daniel Noboa, acusou nesta quarta-feira seu par colombiano, Gustavo Petro, de promover uma "incursão" guerrilheira pela fronteira, o que aumenta a tensão em meio a uma crise comercial e diplomática entre os dois países. O presidente equatoriano não apresentou provas, nem especificou a data ou o local onde a suposta incursão foi detectada.

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Quito e Bogotá estão em conflito desde fevereiro devido às críticas do direitista Noboa sobre a suposta falta de ajuda de Petro no combate ao narcotráfico na fronteira comum.

"Várias fontes nos informaram sobre uma incursão pela fronteira norte de guerrilheiros colombianos, impulsionada pelo governo de Petro. Vamos proteger nossa fronteira e nossa população", escreveu Noboa na rede social X.

Esta semana, Petro também fez acusações contra Noboa, acusando-o de interferir nas campanhas presidenciais colombianas para favorecer a direita na preparação para as eleições de 31 de maio. Ele também sugeriu que os explosivos usados ​​no atentado de sábado, que deixou 21 civis mortos, vieram do Equador. Guerrilheiros dissidentes das extintas FARC reivindicaram a autoria do ataque, afirmando que ocorreu durante confrontos com o Exército e foi resultado de um "erro tático".

"Presidente Petro, concentre-se em melhorar a vida do seu povo em vez de tentar exportar problemas para os países vizinhos", escreveu Noboa diante da acusação.

Anteriormente, o presidente colombiano havia publicado imagens de Noboa na companhia de líderes da direita colombiana: "Noboa é responsável pela violência contra a Colômbia", escreveu ele no X.

Segundo o presidente equatoriano, Petro não fez o suficiente para conter o narcotráfico ao longo dos 600 quilômetros de fronteira compartilhados pelos dois países. Gangues envolvidas com narcotráfico, tráfico de pessoas, mineração ilegal e contrabando operam ao longo da região que separa os dois países. Desde abril, Quito aumentou para 100% o imposto sobre as importações colombianas, e Bogotá respondeu com uma medida semelhante. Além disso, ambos os governos convocaram seus embaixadores para consultas.

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Em fevereiro, o presidente equatoriano havia imposto uma tarifa de 30% sobre os produtos colombianos, medida que foi replicada na mesma proporção por Bogotá, que também suspendeu a venda de energia elétrica para o Equador. Posteriormente, o governo Noboa aumentou em 900% a tarifa para o transporte de petróleo colombiano pelo seu principal oleoduto.

Noboa defende as tarifas como "compensação" pelo dinheiro que seu país investe na segurança da fronteira compartilhada. O Equador tem a maior taxa de homicídios da América Latina, com um recorde de 52 assassinatos por 100 mil habitantes, segundo o Observatório do Crime Organizado.

Enquanto isso, a Colômbia é a maior produtora mundial de cocaína. A grande maioria da droga passa pelo Equador antes de ser transportada para os Estados Unidos e a Europa. Petro afirma que apreensões recordes dessa droga foram realizadas durante seu governo.

Noboa também é muito próximo dos Estados Unidos, que adotou uma política continental de combate ao narcotráfico sob o governo do presidente Donald Trump. O Equador faz parte do chamado "Escudo das Américas", uma aliança recente de 17 países das Américas para enfrentar ameaças à segurança, criada sob a influência da política trumpista. A Colômbia não faz parte desse acordo anunciado por Trump, que superou o status de inimigo de Petro após uma reunião na Casa Branca em 3 de fevereiro.