Presidente do Chile quer que órgãos públicos entreguem dados confidenciais sobre imigrantes irregulares
O governo do presidente ultradireitista chileno, José Antonio Kast, busca obrigar centros médicos, escolas e outras instituições públicas no Chile a entregarem informações confidenciais sobre imigrantes irregulares, uma proposta que gerou conflito dentro de seu gabinete nesta sexta-feira. Kast está pressionando o Congresso para aprovar um projeto de lei que acelere o processo de deportação de imigrantes sem documentos que vivem no Chile, uma de suas principais promessas de campanha.
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Durante a tramitação do projeto foi introduzido um artigo que exige que instituições públicas, centros de saúde e escolas informem os endereços, números de telefone e endereços de e-mail de imigrantes irregulares que frequentam essas entidades. A medida é vista como uma forma de impedir que essas pessoas acessem benefícios sociais e forçá-los a deixar o país.
A proposta gerou conflito dentro do governo. A ministra da Saúde, May Chomali, expressou sua oposição à ideia nesta sexta-feira.
— Estamos encarando a medida com muita preocupação, já que essa informação está sendo fornecida no contexto da saúde e é protegida pelo Código de Saúde — disse ela à Rádio Teletrece. — Vamos defender isso [a confidencialidade] com toda a certeza... Não podemos ir contra a lei.
O subsecretário do Interior, Máximo Pavez, esclareceu que a medida foi mal interpretada e que a instrução só se aplicaria "quando houver um processo de imigração" em andamento, a fim de facilitar "informações que nos permitam localizar essas pessoas".
O diretor executivo do Centro de Políticas Migratórias explicou à AFP que "ter crianças fora da escola e uma população sem acesso à saúde seria muito prejudicial". Segundo ele, "isso não reduziria a população sem documentos, apenas a tornaria mais vulnerável".
Kast prometeu, durante sua campanha, expulsar os 340 mil migrantes que vivem no Chile sem status legal. No entanto, nesta semana, ele suavizou sua posição. O presidente chamou sua promessa de "metáfora", uma declaração que gerou fortes críticas e que ele posteriormente corrigiu para "hipérbole".
Desde que assumiu o cargo, há pouco mais de dois meses, o político de ultradireita tem promovido a construção de barreiras contra a entrada de imigrantes em três regiões do norte do país e deportou 80 pessoas em aviões da Força Aérea.
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No fim de março, pouco mais de duas semanas após sua posse, Kast anunciou a suspensão de um processo de regularização que poderia beneficiar cerca de 182 mil migrantes em situação irregular no país. A medida revertia uma iniciativa preparada pela gestão anterior de Gabriel Boric e integrava um pacote mais amplo de ações voltadas ao endurecimento do controle migratório, incluindo novos projetos de lei e reforço na vigilância de fronteiras.
Em declarações à imprensa na época, o presidente afirmou que o país foi “invadido pela imigração ilegal, pelo narcotráfico e pelo crime organizado” nos últimos anos. Apesar disso, dados indicam que o Chile segue entre os países mais seguros da América Latina, com taxa de 5,4 homicídios por 100 mil habitantes em 2025, ainda que crimes como sequestros tenham registrado aumento e gangues estrangeiras, como o Tren de Aragua, tenham ampliado sua atuação no território.
