Presidente de La Liga destaca crescimento do Brasileirão e diz que espanhóis gastam melhor que clubes da Premier League
O presidente de La Liga, Javier Tebas, apresentou nesta terça-feira os resultados financeiros do futebol espanhol na última temporada, marcada por recorde nas receitas. O cartola, entretanto, “atravessou” as fronteiras do país e destacou o crescimento do Brasileirão, que, na sua opinião, está se tornando uma das principais ligas do mundo. Ele reconheceu também que ainda existe uma disparidade financeira em relação à Premier League, mas avaliou que os ingleses “gastam mal” quando comparados aos times espanhóis.
La Liga registrou, na última temporada, um recorde de receitas totais: 5,4 bilhões de euros (R$ 32,3 bilhões) — números impulsionados por uma presença cada vez maior do público nos jogos. Segundo levantamento da liga, mais de 17 milhões de torcedores assistiram aos jogos in loco, em meio à onda de modernização dos estádios espanhóis. Esse investimento, na visão de Tebas, é o que falta para o futebol brasileiro dar seu próximo passo a nível global.
— O Brasileirão, com suas virtudes e defeitos, está entrando no grupo das grandes ligas do mundo em volume de negócios. Estamos falando de mais de 2 bilhões de dólares. Precisa corrigir ainda algumas questões. Estive há pouco tempo no Brasil, e uma delas é o tema dos estádios. Eles têm bons estádios, mas é evidente que estádios modernos, atraentes e conectados farão subir o Arpu (receita média por usuário) dos ingressos — disse Tebas ao ser questionado pelo GLOBO. — O Brasil é um país enorme, com mais de 200 milhões de habitantes, e tem muitas probabilidades. Mas, evidentemente, a reforma dos estádios e a bilheteria, como temos visto nos últimos anos na Europa e agora na Espanha, fazem com que as receitas dos clubes no setor de match day subam de forma muito importante e qualitativa. E isso é ainda mais relevante no Brasil, onde já existem boas receitas audiovisuais.
O match day é uma das principais fontes de receitas dos clubes e representa o dinheiro que pode ser arrecadado em dias de jogos: venda de ingressos, alimentos, bebidas, produtos licenciados, entre outras explorações. O Real Madrid, por exemplo, foi o time de futebol que mais aproveitou esse potencial em 2024, com 273 milhões de dólares faturados.
Ainda assim, La Liga não consegue igualar as receitas da Premier League, a mais rica do mundo. Os clubes da primeira divisão do Campeonato Inglês somaram 7,1 bilhões de euros (cerca de R$ 42,5 bilhões na cotação atual) em 2024, de acordo com o último relatório financeiro divulgado pela Uefa. Por outro lado, para Tebas, os espanhóis conseguem melhores investimentos mesmo com um orçamento menos farto que o dos ingleses.
O dirigente cita o brasileiro Antony, contratado pelo Manchester United, em 2022, por 100 milhões de euros (aproximadamente R$ 598 milhões). O atacante não teve bom desempenho nos Red Devils e, no ano passado, foi vendido ao Real Betis por 25 milhões de euros (R$ 149,6 milhões):
— Há relatórios que dizem que os clubes de futebol mais rentáveis na hora de contratar jogadores são os espanhóis. Vou citar o exemplo do Antony. O dinheiro que ele custou (ao Manchester United) e depois ao Betis, e o rendimento que está entregando agora. Acredito que a Premier League está supervalorizando jogadores que depois não são utilizados. E tem o fato de que o modelo do futebol espanhol é muito mais focado na categoria de base, na formação, e isso faz com que não precisemos desses investimentos. Portanto, o que se investe, os clubes procuram analisar muito bem.
A formação de novos talentos é, como disse Tebas, uma das prioridades na Espanha. Segundo o relatório econômico-financeiro de La Liga, o valor de mercado dos jogadores das categorias de base dos clubes espanhóis é o maior entre as cinco grandes ligas europeias (que envolvem ainda Inglaterra, Alemanha, França e Itália). Os espanhóis também proporcionam, na média, mais minutos em campo para suas revelações.
