Presidente da Fifa garante Irã na Copa e tenta encerrar incerteza em meio a tensão no Oriente Médio
O presidente da Fifa, Gianni Infantino, afirmou nesta terça-feira que o Irã estará na Copa do Mundo, em meio a um cenário de incertezas envolvendo a seleção e o contexto político do país. A declaração foi dada à AFP durante um amistoso entre o Team Melli e a Costa Rica, em Antália, na Turquia.
Irã vai 'boicotar os EUA, não a Copa do Mundo', diz presidente da federação
Contexto: Irã pede à Fifa para realizar jogos da Copa do Mundo apenas no México
— Estamos aqui para isso. Estamos felizes porque é uma equipe muito, muito forte. Estou muito contente — disse Infantino no intervalo da partida, ao assegurar a presença iraniana no Mundial. A fala surge após especulações sobre uma possível exclusão do país, diante de pressões internacionais e debates sobre direitos humanos e interferência política no futebol.
Apesar da garantia da Fifa, o principal impasse agora não é mais a participação, mas onde o Irã jogará. O presidente da Federação Iraniana, Mehdi Taj, afirmou que o país vai “boicotar os Estados Unidos, mas não a Copa do Mundo”, mesmo com partidas inicialmente previstas em cidades americanas. A decisão está ligada à crise diplomática e à falta de garantias de segurança, além de dificuldades na emissão de vistos e apoio logístico à delegação.
Diante do cenário, a possibilidade de transferir os jogos do Irã para o México entrou em discussão. A presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, afirmou que o país está aberto a receber as partidas, caso a FIFA considere a mudança viável. A própria federação iraniana confirmou negociações nesse sentido, em meio ao endurecimento do discurso de autoridades americanas — incluindo declarações de Donald Trump sugerindo que o Irã não deveria disputar o torneio “por sua própria segurança”.
O caso expõe um cenário inédito para a Copa de 2026, que será sediada por Estados Unidos, México e Canadá. Classificado para o Grupo G, com jogos previstos em Los Angeles e Seattle, o Irã virou o centro de uma disputa que mistura futebol e geopolítica. Ao garantir a presença da seleção, Infantino tenta preservar o princípio esportivo da FIFA — mas, na prática, a organização do Mundial pode ter de lidar com ajustes logísticos sem precedentes.
