O presidente da Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Rurais (Conafer), Carlos Alberto Ferreira Lopes, se entregou na quarta-feira na Superintendência da Polícia Federal (PF) em Brasília. Indiciado pela Polícia Federal na investigação sobre fraudes em descontos no INSS, ele estava foragido desde setembro de 2025 e agora será encaminhado ao sistema penitenciário. Segundo a PF, ele e outros 47 investigados são acusados de articular um esquema de fraudes em descontos do INSS envolvendo a Conafer e que teria desviado mais de R$ 700 milhões. O relatório sobre essa frente de investigação foi o primeiro da Operação Sem Desconto a ser apresentado ao Supremo Tribunal Federal (STF), no mês passado.
A operação foi deflagrada ano passado e investiga desvios de R$ 6 bilhões de benefícios de aposentados a partir de descontos indevidos de diferentes associações e entidades. Levou ao afastamento da cúpula do INSS no governo Lula e do então ministro da Previdência Carlos Lupi. As investigações da PF envolvendo a Conafer concluíram que o grupo desviou R$ 708 milhões de aposentados por meio de descontos indevidos. "O conjunto de provas, desde o alto volume de descontos sem lastro, passando pela inserção de nomes de falecidos nas listas e a existência de milhares de condenações judiciais, estabelece de forma irrefutável a materialidade da fraude praticada pelos responsáveis da Conafer. Esses fatos configuram o crime base da organização criminosa, que permitiu o desvio de mais de R$ 708 milhões dos aposentados e pensionistas", diz o relatório da PF. Ainda segundo a corporação, o dinheiro foi desviado para pagar propinas a agentes públicos. A reportagem não conseguiu contato com a defesa de Lopes. Carlos Roberto Ferreira Lopes Carlos Moura/Agência Senado
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