O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), foi reeleito deputado federal pela Paraíba neste domingo. Com 99,95% das urnas apuradas na Paraíba, ele tinha 124 mil votos.
Em 2022, ele foi o candidato mais votado no estado, com 158.171 votos. Com o resultado deste domingo, Motta exercerá o quinto mandato consecutivo na Câmara — ele foi eleito pela primeira vez em 2010.
Agora, deverá se dedicar à campanha de reeleição à presidência da Câmara, em fevereiro de 2027. Em 2024, o deputado teve apoio de quase todos os partidos, indo do PT ao PL, e teve o primeiro ano da gestão marcado por altos e baixos com o Palácio do Planalto.
O cenário agora será diferente: integrantes do PL criticam a aproximação de Motta com Lula e ameaçam lançar um nome. Com o afastamento do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), com Lula após o Senado rejeitar a indicação de Jorge Messias para uma vaga ao Supremo Tribunal Federal (STF), Motta se aproveitou desse vácuo e se aproximou do petista.
Alcolumbre e Lula se reaproximaram posteriormente. Motta garantiu a aprovação de uma agenda de interesses do Planalto na Câmara e chegou a declarar publicamente apoio à reeleição de Lula.
Ele tinha interesse no apoio do presidente para eleger seu pai, o ex-prefeito Nabor Wanderley (Republicanos), a uma vaga ao Senado neste ano. No período eleitoral, participou de atos na Paraíba para incentivar o voto no petista.
Por mais de uma ocasião, posou para fotos com boné vermelho escrito Lula e “fez o L” com os dedos, gesto usado pela militância que apoia o presidente. Apesar das queixas do PL com a atuação de Motta, o presidente da Câmara deverá ter apoio majoritário de siglas do centrão e da própria esquerda para sua reeleição.
A eleição ocorre em fevereiro, mas aliados do deputado já atuam nos bastidores para ter apoio dos partidos e dos parlamentares individualmente. A Paraíba, com cerca de 4 milhões de habitantes, tem 12 cadeiras na Câmara.
No ano passado, Motta articulou a votação de um projeto sobre a redistribuição dos assentos na Casa para refletir as mudanças populacionais do Censo de 2022 e evitar a redução da bancada da Paraíba. A proposta previa o aumento de 513 para 531 deputados e foi aprovada pelo Congresso, mas posteriormente vetada integralmente pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Os parlamentares ainda não analisaram o veto. Em decisão posterior, o ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que o número de 513 deputados federais fosse mantido para a eleição de 2026.
O caso ainda vai ser analisado pelo plenário da Corte.
O Globo