Presa em SC, falsa adolescente já enganou mulheres no Rio com história de fuga de rede de prostituição

Presa em SC, falsa adolescente já enganou mulheres no Rio com história de fuga de rede de prostituição

Fonte: Bandeira



Gabriele em Santa Catarina, Maria Eduarda no Rio de Janeiro e Ana Clara em São Paulo. As três meninas de 12 anos são todas, na verdade, Amanda Maria Souza de Oliveira, nascida em 10 de junho de 1988.

Antes de ser presa em Joinville (SC) nesta semana por se passar por uma adolescente e enganar uma família que a acolheu por 14 meses, Amanda já havia sido detida no Rio de Janeiro após aplicar um golpe semelhante. Em 2023, ela foi presa em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, depois de convencer moradoras da cidade de que era uma menina de 12 anos que fugia de uma rede de exploração sexual supostamente liderada pelo próprio pai, que seria conhecido no Nordeste como "Bruxo Chik Jeitoso".

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Segundo documentos da Polícia Civil e da Justiça do Rio de Janeiro, Amanda se apresentava como Maria Eduarda da Silva Ferreira, dizia ter 12 anos e afirmava ter escapado de um esquema de prostituição no Nordeste. De acordo com o depoimento prestado pela comerciante Renata Magalhães Turques, uma das mulheres que a acolheram, o primeiro contato ocorreu por meio de uma conhecida identificada como Viviane, que relatou o caso de uma jovem pedindo ajuda.

Em conversas por WhatsApp, a suposta adolescente teria inicialmente afirmado ter 18 anos, mas depois disse que, na verdade, tinha apenas 12. Segundo o relato, ela demonstrava receio de ser encaminhada ao Conselho Tutelar. Após trocas de mensagens, Viviane conseguiu convencê-la a viajar de ônibus até Nova Iguaçu, onde foi recebida pelas duas mulheres.

Renata contou à polícia que a jovem dizia ser vítima de exploração sexual e afirmava que seu pai teria realizado diversos rituais de magia negra em seu corpo. Sensibilizadas com a história, as mulheres passaram a ajudá-la.

Segundo o depoimento, Viviane conseguiu um imóvel para que a suposta adolescente morasse no bairro Carlos Sampaio, em Nova Iguaçu. Renata afirmou que dividiu o aluguel da residência, comprou roupas, alimentos e ajudou a montar a casa.

Relatos de que expelia agulhas pelo corpo

A testemunha relatou ainda que passou a acompanhar de perto a rotina da jovem. Segundo ela, a menina produzia desenhos considerados perturbadores e, por isso, foi levada a atendimento psicológico. Renata também afirmou que a acompanhou em exames médicos relacionados a relatos de que expelia agulhas pelo corpo. De acordo com a declaração, radiografias teriam identificado a presença dos objetos e algumas agulhas teriam sido retiradas.

O caso chegou à Polícia Civil em 28 de junho de 2023, quando agentes foram acionados para apurar a situação de uma suposta criança vítima de exploração sexual e cárcere privado em um imóvel localizado na Rua Aurora Monsanto, em Austin, distrito de Nova Iguaçu.

Policiais civis que participaram da ocorrência relataram que a jovem foi conduzida à delegacia para prestar esclarecimentos. Durante as verificações de rotina, no entanto, os investigadores concluíram que ela não tinha 12 anos nem utilizava sua verdadeira identidade.

Segundo os depoimentos dos agentes, a suposta Maria Eduarda era, na realidade, Amanda Maria Souza de Oliveira, que, na época, tinha 35 anos.

Os policiais também declararam que Amanda já possuía registros de ocorrências em Jundiaí, no interior de São Paulo, e em Minas Gerais envolvendo uma narrativa semelhante à apresentada às mulheres que a acolheram em Nova Iguaçu.

Após a descoberta da verdadeira identidade, Amanda foi presa em flagrante. Durante o interrogatório, exerceu o direito constitucional de permanecer em silêncio e informou que se manifestaria apenas em juízo.

Posteriormente, o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro apresentou denúncia pelos crimes de estelionato, por duas vezes, falsidade ideológica e comunicação falsa de crime. Em decisão de junho de 2024, a Justiça recebeu a denúncia e apontou a existência de indícios de autoria e materialidade para a abertura da ação penal.

Ao analisar o caso, a magistrada também registrou que havia informações sobre possíveis práticas semelhantes em diferentes estados do país. A decisão cita referências a ocorrências e antecedentes relacionados à acusada em São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Ceará.

No dia 31 de julho de 2023, Amanda firmou com o Ministério Público do Rio de Janeiro um acordo de não persecução penal, comprometendo-se a: confessar os crimes, prestar serviços à comunidade por oito meses, manter endereço e número de telefone atualizados diante do Juízo e não cometer nova prática criminosa.

A prisão em Santa Catarina, três anos depois, trouxe à tona o histórico atribuído à investigada. Segundo a Polícia Civil catarinense, ela voltou a se apresentar como adolescente e teria repetido o padrão de comportamento que já havia sido identificado em outras localidades do país.