Prêmio Jovem Cientista é primeiro passo para um longo caminho na área da pesquisa

 

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O Prêmio Jovem Cientista pode ser um divisor de águas para quem está começando na área da pesquisa. Foi assim com a paulista Kamila Ramponi e a paraense Arienny Carina Ramos Souza. Ambas foram premiadas quando eram estudantes do ensino superior, e transformaram o reconhecimento obtido com o Jovem Cientista em impulso para seguir na ciência e ampliar o alcance de seus trabalhos.

Terceiro lugar na categoria ensino superior da 28ª edição, em 2015, quando estava na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Kamila foi premiada por um projeto na área de alimentos que propunha uma alternativa mais saudável às gorduras tradicionais. A pesquisa desenvolveu uma gordura estruturada à base de óleos vegetais e fitoesterol, capaz de reunir benefícios nutricionais e reduzir a absorção de colesterol pelo organismo.

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— A gente consegue trazer propriedades benéficas do óleo e essa característica funcional do fitoesterol, que ajuda a reduzir o colesterol — explica.

O tema dialoga diretamente com um dos maiores desafios de saúde pública da atualidade: as doenças cardiovasculares. Mas para Kamila, o principal impacto do Jovem Cientista aconteceu na própria trajetória.

— O prêmio veio como uma autoafirmação de que eu estava no caminho certo — relembra.

Além da visibilidade, a conquista abriu portas para a continuidade da formação acadêmica de Kamila.

— A gente conseguiu converter a bolsa em um doutorado, o que foi fundamental para que eu pudesse continuar na pesquisa — conta.

Bolsa e contratação

Hoje mestre e doutora em tecnologia de alimentos, Kamila segue atuando na mesma área que a levou ao prêmio. Desde 2022, trabalha na Cargill, onde ingressou como bolsista em um programa de inovação e, mais tarde, foi contratada como especialista de pesquisa e desenvolvimento em óleos e gorduras.

No Norte do país, a trajetória de Arienny Carina Ramos Souza também foi profundamente transformada pelo prêmio, mas em outra frente: as Ciências Sociais.

Arienny Carina Ramos Souza: pesquisa sobre assédio sexual por professores em redes sociais

Brenno Carvalho

Vencedora da 30ª edição, a então estudante de História do Instituto Federal do Pará investigou o assédio sexual praticado por professores contra alunas nas redes sociais. O estudo revelou impactos profundos na vida dessas estudantes, sobretudo entre mulheres negras e periféricas.

A pesquisa teve efeitos concretos. A partir dela, foram implementadas políticas institucionais para enfrentar esse tipo de violência e foi produzida uma cartilha voltada ao incentivo de denúncias e à responsabilização dos agressores.

Hoje, aos 24 anos, Arienny cursa o mestrado em Sociologia e Antropologia na Universidade Federal do Pará e continua pesquisando violência de gênero no ambiente digital.

— Ganhar o prêmio transformou a minha trajetória acadêmica, profissional e pessoal — diz. — Conheci novos lugares, participei de eventos científicos e ingressei na pós-graduação com mais segurança.

Abertura de caminhos

Para a mestranda, o reconhecimento também teve um significado coletivo.

— Como mulher negra, periférica e amazônida, sei o quanto é desafiador ocupar espaços de prestígio. Ganhar o prêmio foi uma forma de resistência e de abrir caminhos para outras meninas — destaca.

As inscrições para a 32ª edição do Prêmio Jovem Cientista estão abertas até 31 de julho, no site jovemcientista.cnpq.br. Com o tema “Inteligência artificial para o bem comum”, a iniciativa busca estimular projetos que usem a tecnologia para enfrentar desafios sociais.

O prêmio oferece laptops, bolsas de pesquisa e valores entre R$ 5 mil e R$ 40 mil, e é uma iniciativa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) em parceria com a Fundação Roberto Marinho, com patrocínio da Shell e apoio de mídia da Editora Globo e do Canal Futura.