Prêmio Jovem Cientista agracia vencedores de edição voltada ao enfrentamento da crise climática
Os vencedores da 31ª edição do Prêmio Jovem Cientista foram agraciados em uma cerimônia realizada nesta quinta-feira em Brasília. Estudantes, pesquisadores e autoridades foram agraciados por projetos relacionados às mudanças climáticas e à transição ecológica.
As iniciativas premiadas envolvem o papel estratégico da produção científica no enfrentamento dos desafios climáticos e na construção de soluções sustentáveis para o país. O evento, realizado no Sesi-Lab, em Brasília, marcou a entrega oficial dos prêmios aos vencedores.
Participaram da cerimônia o vice-presidente de Relações Corporativas da Shell Brasil, Flavio Rodrigues, o secretário-geral da Fundação Roberto Marinho, João Alegria, o presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Olival Freire Junior, o vice-presidente de Relações Institucionais, Paulo Tonet Camargo, e o diretor-superintendente do SESI, Paulo Mól.
Para João Alegria, os premiados desta edição inovaram ao mesclar conhecimentos científicos com saberes tradicionais brasileiros.
— Quando você olha os trabalhos que foram vencedores, praticamente todos eles fazem uma articulação entre conhecimento científico, método científico e conhecimento tradicional — afirma Alegria. — E isso é uma das coisas mais desejadas no mundo quando se fala em ciência, porque as pessoas sabem que conhecimento tradicional é importante, mas ninguém sabe direito como juntar uma coisa com outra — diz secretário-geral da Fundação Roberto Marinho.
Para Paulo Tonet, o prêmio é uma oportunidade de descobrir jovens talentos para produção de conhecimento do país.
— A gente vê a capacidade de criação desses meninos. E com isso, há espaço para a ciência brasileira e para o engajamento da juventude na ciência brasileira, muito importante para o Brasil, que é tão carente de pesquisa científica, de criação científica — afirma.
Freire Junior, do CNPq, aponta que o evento premiou soluções práticas para problemas reais da vida cotidiana.
— O que nós vimos aqui foi um painel de soluções que todas têm essas características, de como é que nós desenvolvemos essa resiliência a essas mudanças climáticas que estão em curso — afirmou.
Flávio Rodrigues, vice-presidente de Relações Corporativas da Shell, destaca a importância da iniciativa e da ciência como um todo para o setor privado.
— É um caminho de troca muito forte a partir do momento que a ciência, a inovação, está inserida dentro do nosso ambiente empresarial de uma forma muito intensa, também com a tecnologia, porque a gente lida com uma atividade de negócio onde você tem que, claramente, achar soluções para problemas complexos.
Categoria Estudante do Ensino Médio
O vencedor da categoria Ensino Médio, Raul Victor Magalhães Souza, de 16 anos, do Ceará, criou um sistema de dados gerados pela observação da natureza, mesclando saberes dos “profetas das chuvas” com inteligência artificial, chegando a uma taxa de acerto de 94,5% nas previsões climáticas.
Magalhães diz que o prêmio serve como um impulso para uma carreira acadêmica no futuro.
— Acredito que ter ganhado esse prêmio, justamente nessa fase, foi um grande incentivo a continuidade da minha carreira na pesquisa científica, porque querendo ou não é muito exaustivo e trabalhoso, assim, lidar com a ciência hoje em dia no Brasil, sendo que ainda há poucos recursos e ainda assim pouco investimento na ciência brasileira atual — conta o jovem.
A estudante de Pernambuco Beatriz Vitória da Silva, de 18 anos, ficou em segundo lugar ao produzir um filtro à base de cascas de fruta-pinha que reduz o consumo de água e a emissão de poluentes na produção de casas de farinha.
O terceiro colocado na categoria, Gabriel da Silva Santos, de 19 anos, de Pernambuco, criou um sistema que monitora o crescimento de plantas de girassol ornamental no agreste de Pernambuco.
Categoria Estudante do Ensino Superior
A primeira colocada, a estudante de engenharia florestal Manuelle da Costa Pereira, de 23 anos, do Amapá, criou um kit de energia solar portátil para castanheiros na Floresta Amazônica. Ela foi a primeira estudante do estado a conquistar o prêmio.
Em segundo lugar, Isac Diógenes Bezerra, de 22 anos, estudante de tecnologia em redes de computadores, do Ceará, criou um sistema de monitoramento em tempo real do consumo de água com a Internet das Coisas.
A estudante de medicina Anna Giullia Toledo Hosken, de 21 anos, do Rio de Janeiro, conquistou o terceiro lugar ao integrar dados clínicos e mapas de risco, aumentando a eficácia de ações preventivas contra catástrofes climáticas em Petrópolis.
Categoria Mestre e Doutor
A vencedora da categoria, doutora em economia aplicada, Elizângela Aparecida dos Santos, de 32 anos, de Minas Gerais, criou um índice de identificação de municípios brasileiros mais resilientes às mudanças climáticas.
Na segunda colocação, Luiz Fernando Esser, de 33 anos, do Paraná, biólogo e pós-doutorando em mudanças climáticas, desenvolveu um algoritmo para tornar mais acessível a utilização de métodos de alta precisão em projeções climáticas.
A também bióloga Tauany Aparecida da Silva Santa Rosa Rodrigues, de 31 anos, do Rio de Janeiro, conquistou a terceira colocação ao criar um sistema automatizado que mensura o impacto das alterações térmicas — consequências das mudanças climáticas — em ecossistemas aquáticos continentais.
Outras premiações
A professora Ana Paula Melo, do Departamento de Engenharia Civil da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), foi a escolhida para ser premiada na categoria Mérito Científico por sua trajetória acadêmica. A pesquisadora catarinense produziu estudos sobre o histórico da eficiência energética no Brasil.
Enquanto isso, na categoria de Mérito Institucional Ensino Superior, a vencedora foi a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Já na categoria Mérito Institucional Ensino Médio, o primeiro lugar ficou com a Escola Técnica Estadual Professor Paulo Freire, de Pernambuco.
O Prêmio Jovem Cientista foi criado em 1981 pelo CNPq, em parceria com a Fundação Roberto Marinho e empresas da iniciativa privada. Após ter sido descontinuado em 2019, a premiação foi retomada em 2024 com o temaConectividade e Inclusão Digital. Os ganhadores foram contemplados com laptops, bolsas do CNPq e valores em dinheiro que vão de R$ 12 mil a R$ 40 mil.
Foram, ao todo, 919 inscrições em cinco categorias: Mestre e Doutor, Estudante do Ensino Superior, Estudante do Ensino Médio, Mérito Institucional e Mérito Científico, que celebra um pesquisador doutor com uma trajetória de destaque na área relacionada à temática da edição. No total, dez pesquisadores e duas instituições foram reconhecidos na premiação.O Prêmio Jovem Cientista foi criado em 1981 pelo CNPq, em parceria com a Fundação Roberto Marinho e empresas da iniciativa privada. Após ter sido descontinuado em 2019, a premiação foi retomada em 2024 com o temaConectividade e Inclusão Digital. Os ganhadores foram contemplados com laptops, bolsas do CNPq e valores em dinheiro que vão de R$ 12 mil a R$ 40 mil.
A premiação conta com o apoio de mídia da Editora Globo e do Canal Futura, do Sesi-Lab e com o patrocínio master da Shell. Ao longo de 37 anos, foram agraciados 194 pesquisadores e estudantes, além de 21 instituições de ensino.
