Premier do Líbano denuncia ataques de Israel contra áreas densamente povoadas enquanto líderes mundiais pedem que trégua com o Irã inclua o país

 

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O primeiro-ministro do Líbano, Nawaf Salam, afirmou nesta quarta-feira que as Forças Armadas de Israel estão matando "civis inocentes" em áreas densamente povoadas do país, após o Exército israelense lançar um extenso ataque contra o que apontou como alvos ligados ao movimento libanês Hezbollah, aliado do Irã no "Eixo da Resistência". A nova onda de ataques israelense ocorre em um momento em que o frágil acordo entre EUA e Irã para reabertura do Estreito de Ormuz começa a ser implementado, apesar de uma série de incertezas quanto ao futuro das negociações e a extensão dos termos: embora autoridades americanas tenham afirmado que o governo israelense concordou com o acordo mediado pelo Paquistão, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu defendeu que a trégua não se aplica à frente libanesa, levando líderes mundiais a pressionarem pelo fim das hostilidades no país.

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— [Israel] continua totalmente indiferente a todos os esforços regionais e internacionais para pôr fim à guerra, para não mencionar o seu completo desrespeito pelos princípios do direito internacional e do direito internacional humanitário, que nunca respeitou — afirmou o premier libanês. — Todos os amigos do Líbano são convocados a ajudar-nos a pôr fim a estas agressões por todos os meios ao seu alcance.

As Forças Armadas israelenses confirmaram bombardeios contra mais de cem alvos que apontou como sendo do Hezbollah, incluindo estruturas de ataque aéreo, centros de comando e de inteligência. Colunas de fumaça foram vistas em diferentes pontos de Beirute e da região metropolitana, de acordo com imagens da AFPTV. Jornalistas da AFP relataram cenas de pânico nas ruas da capital após as explosões.

O Ministério da Saúde libanês anunciou que dezenas de pessoas morreram e centenas ficaram feridas nos ataques realizados nesta quarta. Os bombardeios atingiram diferentes áreas do país.

'Alerta elevado'

O Exército israelense indicou nesta quarta-feira ter suspendido seus ataques contra o Irã após completar uma série de bombardeios noturnos, mas destacou que permanece em alerta para responder a qualquer eventual violação do cessar-fogo anunciado por Washington.

"Seguindo as diretrizes do comando político, o Exército cessou o fogo na campanha contra o Irã e se mantém em estado de alerta elevado, pronto para responder a qualquer violação" da trégua, indicaram as forças armadas em um comunicado.

"Na madrugada de quarta-feira, [as forças armadas israelenses] executaram uma ampla onda de ataques contra pontos de lançamento de mísseis" em diferentes locais do Irã, acrescentou o texto.

Nesta terça-feira, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou o cessar-fogo de duas semanas com apoio de Irã e Israel, a poucas horas do fim do ultimato para a reabertura do Estreito de Ormuz, enquanto negociações mais amplas seguem previstas.

A trégua, mediada pelo Paquistão, contrasta com declarações anteriores do republicano, que chegou a ameaçar a destruição de “toda uma civilização”, gerando críticas internacionais e questionamentos legais.

Organismos como ONU e Anistia Internacional classificaram a retórica como potencial violação do direito internacional humanitário, enquanto aliados e opositores nos EUA também reagiram com preocupação.

Apesar da pausa, o conflito já atingiu infraestruturas civis estratégicas, elevando o risco de escalada regional e até de incidente nuclear, segundo agências internacionais.

Sob pressão interna e externa, tanto Washington quanto Teerã tentam capitalizar a trégua, ainda que as exigências para um acordo definitivo indiquem um caminho prolongado para o fim da guerra. (Com AFP)