Premier de Israel visita Trump em busca de incluir limitação ao programa de mísseis do Irã em possível acordo

 

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O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, voltou a encontrar o presidente dos EUA, Donald Trump, nesta quarta-feira, em sua sexta visita à Casa Branca, em um momento em que Washington está envolvido em tratativas diplomáticas com o Irã. Com o principal aliado focado em alcançar um acordo nuclear que limite o desenvolvimento de armas atômicas por Teerã, Netanyahu tenta garantir que os americanos incluam em suas exigências ao regime dos aiatolás um controle do programa de mísseis, apontado pelo Estado judeu como uma ameaça existencial.

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Desde que Trump aumentou a pressão sobre o Irã, com o envio de uma grande frota naval para o Golfo Pérsico, incluindo um porta-aviões, o presidente americano condicionou um novo ataque a uma recusa de Teerã em negociar sobre a questão nuclear. Em alguns momentos, o republicano chegou a se referir à violência contra manifestantes pacíficos no país e à questão dos mísseis, mas o governo considerou positivas conversas realizadas na semana passada em Omã, nas quais o lado iraniano afirmou que só entrou em debate o programa nuclear.

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Netanyahu, que chegou à Casa Branca por volta das 11h (13h em Brasília), compactua da visão de boa parte de seu Gabinete que a ameaça mais urgente partindo do Irã neste momento é o arsenal balístico iraniano, que detém capacidades que permitem ataques contra qualquer ponto do território israelense. A viagem do premier foi antecipada para apresentar os pontos relativos a segurança a Trump.

— Apresentarei ao presidente nossa perspectiva em relação aos princípios dessas negociações, os princípios essenciais que, na minha opinião, são importantes não apenas para Israel, mas para todos ao redor do mundo que desejam paz e segurança no Oriente Médio — disse Netanyahu a repórteres antes de embarcar para os EUA, na terça-feira.

O premier embarcou com dois objetivos possíveis, segundo fontes ouvidas por veículos internacionais. O primeiro deles seria fazer com que Trump concordasse em pressionar o Irã e fazer com que o país mudasse de posição, concordando em limitar o programa de mísseis. Caso não tivesse êxito, o plano seria convencer o líder americano a aprovar outra campanha militar direcionada aos locais ligados ao programa de mísseis.

Sobrevivência

Mesmo após o ataque americano contra o território iraniano, em junho do ano passado, Israel enviou avaliações aos EUA, afirmando que o regime dos aiatolás estava enfraquecido, mas continuava capaz de desferir golpes significativos. Passados mais de 7 meses do ataque, há indícios de que Teerã teve como prioridade a reconstrução de locais ligados ao setor de mísseis, vista pelo aiatolá Ali Khamenei como principal capacidade a garantir a sustentação da teocracia.

— Do ponto de vista do Irã, o risco de um ataque militar dos Estados Unidos é menor do que o risco de abrir mão da única defesa que o Irã possui contra eles — disse Raz Zimmt, especialista em Irã do Instituto de Estudos de Segurança Nacional da Universidade de Tel Aviv. — Eles acreditam que abrir mão dos mísseis abriria caminho para uma mudança de regime.

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Menahem Kahana / AFP

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No sábado, um dia após autoridades americanas e iranianas realizarem conversas indiretas em Omã, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, reiterou a posição de seu país sobre o tema, afirmando que "a questão dos mísseis" "não é negociável de forma alguma, nem agora nem em qualquer momento futuro".

Além de mísseis de médio alcance capazes de atingir Israel, o Irã também possui um grande arsenal de mísseis de curto alcance que poderiam atingir bases militares americanas no Catar, Iraque e outros locais do Oriente Médio. Esse deve ser um dos argumentos de Netanyahu na conversa com Trump.

Mesa de negociações

Em Teerã, autoridades iranianas denunciaram a visita do líder israelense à Casa Branca como uma "influência destrutiva". O presidente Masoud Pezeshkian afirmou que o regime está disposto a permitir "inspeções" para verificar a natureza pacífica do programa iraniano, mas alertou que não cederá a "exigências excessivas".

— Não queremos adquirir armas nucleares. Já afirmamos isso repetidamente e estamos preparados para todos os tipos de inspeções — disse nesta quarta-feira.

Embora tenha expressado esperança de alcançar um acordo, Trump disse na terça-feira, em entrevista ao portal americano Axios, que estava "pensando" em enviar um segundo porta-aviões para a região.

— Ou chegamos a um acordo, ou teremos que fazer algo muito duro como da última vez — afirmou o presidente. (Com NYT e AFP)