Premier de Israel ordena ataques contra o Hezbollah no Líbano e acusa violações de cessar-fogo

 

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O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, ordenou neste sábado ataques contra o movimento libanês Hezbollah, alegando que o grupo teria violado o frágil acordo de cessar-fogo alcançado pelo Estado judeu e pelo Líbano, com mediação dos EUA — e estendido pelo presidente americano, Donald Trump, na quinta-feira. Ao menos seis pessoas morreram no Líbano neste sábado.

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"[Netanyahu] ordenou às FDI [Forças Armadas de Israel] que atacassem com força alvos do Hezbollah no Líbano", afirmou um comunicado emitido pelo gabinete do premier, citando um relatório do Exército, que denunciou violações do cessar-fogo por parte do grupo libanês.

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Os militares alegaram que dois projéteis foram lançados do Líbano em direção a Israel, denunciando o caso como "uma flagrante violação dos entendimentos sobre o cessar-fogo" por parte do Hezbollah. O grupo paramilitar, que condenou publicamente os diálogos do governo de Beirute com o governo israelense, anunciou ter atacado um veículo do Exército israelense no sul do Líbano, em represália a um ataque rival.

O frágil cessar-fogo fez cessar os bombardeios israelenses em grande escala das últimas semanas, mas as hostilidades nunca pararam de fato, com uma violência persistente de menor intensidade se mantendo. Desde o dia 2 de março, os ataques israelenses mataram pelo menos 2.496 pessoas no Líbano, segundo as autoridades libanesas.

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Em um anúncio neste sábado, o Ministério da Saúde do Líbano afirmou que seis pessoas morreram em ataques israelenses no sul do país. Quatro pessoas morreram em Yohmor al Shaqif, onde dois ataques atingiram um caminhão e uma motocicleta. O Exército israelense afirmou que "eliminou" três combatentes do Hezbollah que viajavam em "um veículo carregado de armas", assim como outro que se deslocava em uma motocicleta, e outros dois integrantes armados do grupo em outro local.

Pouco depois, o ministério libanês anunciou que "um bombardeio aéreo do inimigo israelense contra a localidade de Safad al Battikh, no distrito de Bint Jbeil, deixou um total de duas pessoas mortas e 17 feridas". A agência nacional de notícias libanesa NNA reportou bombardeios de artilharia israelense em várias localidades do sul do Líbano neste sábado.

Também reportou uma "explosão violenta" em Khiam, uma cidade situada a leste da fronteira entre Líbano e Israel, onde, anteriormente, a agência havia destacado que o Exército israelense vinha destruindo casas "sistematicamente". Um correspondente da AFP viu uma enorme nuvem de fumaça se erguendo sobre a cidade.

Trégua limitada

A continuidade da violência e a aceitação relutante dos termos pelas partes, dizem analistas, sugerem que o acordo está aquém de um verdadeiro cessar-fogo e évulnerável a se desfazer completamente.

— Isso não é tanto um cessar-fogo, mas sim uma desescalada limitada — disse David Wood, analista sênior sobre o Líbano no International Crisis Group, uma organização de pesquisa voltada à prevenção de conflitos.

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De acordo com os termos da trégua, conforme publicados pelo Departamento de Estado dos EUA após o anúncio inicial em meados de abril, Israel tem o direito de agir em legítima defesa "contra ataques planejados, iminentes ou em curso". As forças israelenses têm citado isso como justificativa para continuar realizando ataques.

Nos últimos dias, esses ataques têm se concentrado no sul, reduto do Hezbollah, onde o grupo há muito exerce controle de fato e conta com amplo apoio. As forças israelenses bombardearam intensamente a região durante a guerra e agora ocupam uma faixa considerável de território ali, onde realizam demolições em larga escala. (Com AFP e NYT)