Premiê da Groenlândia diz que posição de Trump não mudou e ele segue querendo controlar ilha

 

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Em uma declaração no Parlamento nesta segunda-feira (2), o primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, disse que Donald Trump segue querendo controlar a ilha, mesmo após afirmar que não buscava nenhuma ação militar.

Segundo ele, a visão sobre o local e sua população segue a mesma: 'a Groenlândia deve estar ligada aos EUA e ser governada a partir daí'. Ele ainda completou que o governo americano segue atrás de 'caminhos para a propriedade e o controle sobre a Groenlândia'.

Nesse domingo (1), em um jantar realizado em um tradicional clube de Washington DC com membros importantes da política e da economia dos Estados Unidos, o presidente Donald Trump voltou a falar sobre a anexação de outros países.

Ele disse agora que quer transformar o Canadá, Groenlândia e Venezuela em estados americanos.

'Nunca foi minha intenção converter a Groenlândia no estado número 51. Quero converter o Canadá no estado número 51. A Groenlândia será o estado número 52. A Venezuela pode ser o estado número 53', disse.

A afirmação aconteceu em um momento que Trump discursava para os convidados. A informação foi divulgada por diversos veículos da imprensa americana, citando presentes no evento.

Trump vem em uma ofensiva contra os três locais nos últimos meses. Em relação à Venezuela, conseguiu prender o presidente Nicolás Maduro e diz que mantém negociações com o atual governo no país.

Já sobre a Groenlândia há uma disputa com a Dinamarca, especialmente, e outros países europeus que controlam parte do território. Trump afirma que a região é alvo de influências da China e da Rússia.

Por fim, o Canadá é outro local que o republicano comenta desde que retornou ao cargo, em 2025. Apesar disso, o governo canadense rechaça qualquer acordo ou anexação por parte dos EUA. A situação, inclusive, fez ascender um movimento de defesa do território, com o premiê Mark Carney sendo eleito justamente por esse discurso.

Ministro dinamarquês diz estar mais otimista após 'conversas construtivas' com os EUA

Nuuk, capital da Groenlândia

Foto: Flickr

O ministro das Relações Exteriores da Dinamarca, Lars Lokke Rasmussen, disse nesta quinta-feira (29) que está "mais otimista" após conversas que ele considerou "muito construtivas" com os Estados Unidos sobre a Groenlândia.

Segundo a agência de notícias France Presse, o chanceler dinamarquês contou que uma primeira reunião sobre o tema ocorreu nesta quarta-feira em Washington e que tudo correu bem, embora ainda haja pontos a resolver. Ele disse que "as coisas estavam escalando", mas que, agora, voltaram ao que chamou de "bom caminho".

Há uma semana, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recuou nas ameaças de se apoderar da Groenlândia, que é território autônomo da Dinamarca.

As declarações do presidente americano, que chegou a falar em usar a força para anexar a ilha aos Estados Unidos, mergulharam a Otan em sua pior crise em anos.

O secretário de Estado do país, Marco Rubio, afirmou que Washington já tem um processo em vigor em relação à ilha e que haverá reuniões técnicas com autoridades da Groenlândia e da Dinamarca sobre o assunto.

O rei Frederik da Dinamarca tem visita marcada à Groenlândia de 18 a 20 de fevereiro, enquanto a nação nórdica reafirma sua soberania sobre a ilha ártica em resposta às repetidas exigências de Trump para controlá-la.

O republicano argumenta que o plano de anexação da Groenlândia é para reforçar a segurança nacional, mas na semana passada ele recuou das ameaças de tomar a ilha à força e retirou as tarifas propostas para países que se opuserem à anexação. Em vez disso, iniciou negociações diplomáticas buscando maior acesso, embora Washington já tenha ampla permissão para levar tropas para a ilha.

A Groenlândia, rica em recursos naturais, é um território autônomo que integra o Reino da Dinamarca. Tanto o governo dinamarquês quanto as autoridades locais reiteram que a ilha não está à venda.