Premiê britânico é pressionado no cargo após descoberta de conexões de ex-embaixador e Epstein
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, está sendo pressionado no cargo e por integrantes do partido após a divulgação dos novos arquivos do caso Epstein. Isso porque eles mostraram uma conexão do ex-embaixador nos EUA Peter Mandelson e o criminoso sexual.
Inicialmente, o caso não chegou a afetar o governo, porém a pressão aumentou após Starmer admitir à Câmara dos Comuns do Reino Unido que sabia da amizade dele com Epstein.
Diversas publicações britânicas publicaram nesta semana editoriais exigindo sua renúncia. Além disso, alguns membros do Partido Trabalhista realizaram reuniões para definir o que poderia ser feito.
O primeiro-ministro afirmou que Mandelson 'retratou Epstein como alguém que mal conhecia'. Em um discurso na quinta-feira (4), ele disse: 'Lamento (às vítimas)... ter acreditado nas mentiras de Mandelson e tê-lo nomeado'.
Starmer demitiu Mandelson em setembro, após a divulgação de e-mails que mostravam que ele mantinha amizade com Epstein mesmo após a condenação do financista em 2008 por crimes sexuais envolvendo uma menor.
Epstein morreu por suicídio em uma cela em 2019, enquanto aguardava julgamento por acusações federais nos EUA de abuso sexual contra dezenas de meninas.
'Já era de conhecimento público há algum tempo que Mandelson conhecia Epstein, mas nenhum de nós tinha noção da profundidade e da obscuridade dessa relação', continuou o premiê.
A polícia britânica está investigando Mandelson por possível conduta imprópria em cargo público. Ele não é acusado de nenhum crime sexual.
Trocas de e-mails entre ele e o criminoso sexual Jeffrey Epstein contêm informações sensíveis ao mercado relacionadas à crise de 2008 e às atividades oficiais para estabilizar a economia.
Donald Trump e ex-embaixador britânico Peter Mandelson.
JIM WATSON / AFP
O porta-voz oficial do primeiro-ministro afirmou que estavam cooperando plenamente com a polícia e prontos para auxílio em tudo o que fosse necessário.
Autoridades do governo do Reino Unido avaliam que Mandelson violou os rigorosos procedimentos de tratamento de informações. Atualmente, Peter, mesmo sem cargo oficial, faz parte da Câmara de Lordes, a câmara alta do Parlamento britânico.
Em meio a isso, autoridades governamentais estão elaborando um projeto de lei para cassar o título de nobreza de Lord Mandelson, afirmou o porta-voz do primeiro-ministro. O governo está preparado para legislar a fim de expulsar Mandelson da Câmara dos Lordes, se necessário, acrescentaram.
Antes disso, ele anunciou que irá renunciar ao cargo de membro da Câmara dos Lordes após as últimas revelações.
A Polícia Metropolitana afirmou nessa segunda (1) estar ciente da mais recente divulgação de arquivos relacionados a Epstein e que recebeu 'diversas denúncias referentes a supostas condutas impróprias em cargo público'.
Mandelson já declarou sobre o caso:
'Errei ao acreditar em Epstein após sua condenação e ao manter minha associação com ele posteriormente. Peço desculpas inequivocamente às mulheres e meninas que sofreram por isso'.
Em entrevista ao The Times publicada nessa segunda (2), Mandelson se referiu a 'alguns e-mails antigos equivocados, que lamento profundamente ter enviado' e descreveu Epstein como 'sujeira que não sai da sola do sapato'.
Jeffrey Epstein durante entrevista divulgada nos arquivos pelo Departamento de Justiça dos EUA.
Divulgação/Departamento de Justiça EUA
