'Preguiça terapêutica': o dia em que cansei de ser funcional

 

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“Preguiça Terapêutica”: Por que desacelerar pode ser o ato mais inteligente da sua vida hoje?

Vivemos numa época curiosa: Todo mundo fala em ser autêntica, mas ninguém tem tempo para isso. Autenticidade exige pausa. E pausa hoje parece pecado.

Se você não está: Produzindo, melhorando, otimizando, se reinventando, respondendo mensagens, parece que está “falhando como adulto funcional”.

É nesse cenário que nasce algo revolucionário, subversivo e profundamente necessário: a preguiça terapêutica.

Não confunda essa preguiça com desleixo. É um cansaço seletivo. Um “não vou” altamente estratégico.

Preguiça terapêutica: quando o corpo vira terapeuta (sem cobrar por sessão)

A preguiça terapêutica aparece quando a mente já tentou resolver tudo sozinha e falhou miseravelmente.

Ela surge como:

“Hoje não quero conversar.”

“Não tenho opinião sobre isso.”

“Não vou explicar.”

“Depois eu vejo.”

“Se der, deu.”

E, pela primeira vez, isso não vem acompanhado de culpa.

É o corpo dizendo:

“Já performei o suficiente. Agora quero existir.”

Convenhamos: Ninguém aguenta ser interessante, madura, produtiva e evoluída 24 horas por dia. Nem o Buda.

Autenticidade não é falar tudo: É parar de fingir

Existe um mito moderno de que ser autêntica é “botar tudo para fora”. Spoiler: não é.

Autenticidade é não sustentar o que não é verdade. Às vezes isso significa falar. Às vezes, calar. Às vezes, simplesmente ir dormir.

Ser autêntica pode ser: Sair mais cedo, não ir, não responder, não render, não saber.

E não ter que fazer um TED Talk explicando o motivo.

A preguiça terapêutica ajuda nisso porque ela corta o excesso de justificativa. Ela diz: “Não preciso de argumento para respeitar meu limite.”

Que alívio, convenhamos.

O cansaço moderno não é físico, ele é dramático!

A maioria das pessoas não está exausta de fazer coisas. Está exausta de representar versões aceitáveis de si mesma.

A versão:

sempre disponível

sempre simpática

sempre produtiva

sempre equilibrada

sempre “dando conta”

A preguiça terapêutica entra como um pequeno ato de rebeldia emocional:

“Hoje, essa personagem não entra em cena.” E olha… o mundo continua girando. Chocante.

Quando o “menos” vira autocuidado de verdade

O autocuidado do passado era simples:

sentar

respirar

descansar,

não fazer nada sem culpa

Hoje virou um projeto:

planner

aplicativo

meta

rotina

culpa se não cumprir

A preguiça terapêutica devolve o autocuidado ao lugar certo: menos obrigação, mais escuta.

Menos:

“eu deveria”

Mais:

“eu preciso?”

Menos:

agenda lotada

Mais:

espaço interno

Menos:

performance

Mais:

presença

O passado não era perfeito, mas era menos barulhento

Não, antigamente não era melhor em tudo. Mas tinha uma vantagem imensa: menos estímulo, menos comparação, menos urgência.

As pessoas:

ficavam entediadas

não respondiam na hora

sumiam sem explicação

descansavam sem postar

E sobreviviam.

A boa notícia? Dá para resgatar isso sem virar ermitão nem jogar o celular no mar.

Como pegar coisas boas do passado e adaptar para hoje (sem drama)

1. Ressuscite o direito ao tédio

Antes, o tédio existia. Hoje, ele é tratado como emergência. Adapte assim:

Não preencher cada minuto com tela

Ficar olhando pela janela

Fazer nada sem se punir

O tédio organiza a mente. Ele é tipo faxina emocional.

2. Volte a fazer pausas sem produtividade embutida

Antigamente, descanso era descanso. Não “recarga para render melhor”. Adapte assim:

Pausa sem podcast

sem curso

sem conteúdo educativo

Descansar não precisa justificar resultado.

3. Recupere conversas sem objetivo

Antes, conversar era só… conversar. Adapte assim:

encontros sem networking, ligações sem pauta, risadas sem propósito terapêutico. Nem toda conversa precisa te melhorar como pessoa.

4. Resgate o “vou pensar”

Antigamente, ninguém decidia tudo na hora. Adapte assim:

Não responder imediatamente

Pensar antes de aceitar

Dormir sobre decisões

Urgência é péssima conselheira.

5. Traga de volta o simples

Menos ferramentas. Menos métodos. Menos otimização. Às vezes, o que falta não é técnica. É silêncio.