Prefeitura testa linha entre Rio e Baixada, e Detro faz advertência

 

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Depois da Segurança Pública, a mobilidade urbana na Região Metropolitana coloca Cláudio Castro (PL) e Eduardo Paes (PSD) em nova rota de colisão. Amanhã, na inauguração do Terminal Margaridas, do BRT Metropolitano, no Trevo das Margaridas, em Irajá, Paes deve anunciar que negocia com a prefeitura de Mesquita a criação de uma linha de ônibus para fazer a ligação da cidade da Baixada com o novo espaço. Dali, o passageiro poderá embarcar no BRT Transbrasil e seguir até o Terminal Gentileza, no Caju. O acordo, no entanto, não agradou ao Departamento Estadual de Transportes Rodoviários (Detro), que expediu ontem uma circular para os prefeitos dos 92 municípios, incluindo a capital, ressaltando que a competência para organizar e autorizar o transporte intermunicipal é do estado.

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“Qualquer iniciativa municipal que resulte na criação, autorização, incentivo ou operação de serviços de transportes será inconstitucional, podendo ensejar a adoção de medidas administrativas, operacionais e judiciais cabíveis’’, escreveu o presidente do Detro, Raphael Salgado, no ofício. Ele ressaltou, no entanto, que o órgão está aberto a dialogar com as prefeituras “com o objetivo de buscar soluções para a adequada prestação dos serviços”.

Trajeto de 30 quilômetros

Desde quarta-feira, motoristas da Mobi-Rio — estatal da Prefeitura do Rio que administra os BRTs — fazem testes de trajetos entre Mesquita e o novo terminal, o que é chamado de “corre linha”. Ontem, o GLOBO acompanhou no início da tarde uma dessas viagens. Os veículos têm circulado apenas com motoristas da Mobi-Rio uniformizados nos assentos de passageiros e ao volante. Para chegar até Mesquita, a partir do terminal, eles entram na Rodovia Presidente Dutra e seguem por Belford Roxo até chegar a Mesquita.

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O roteiro tem cerca de 30 quilômetros, maior parte fora da cidade do Rio. A viagem acompanhada pelo GLOBO até o ponto final na Praça São Paulo, na Vila Norma, durou 1h15m. Em Mesquita, o coletivo circulou por cerca de 30 ruas, muitas das quais tão estreitas que foi preciso parar para manobrar.

Os coletivos fazem parte de um lote de 25 veículos comprados pela Mobi-Rio para fazer integrações com a Baixada. Outros 105 devem ser adquiridos. Mesmo sem autorização do Detro, nenhum desses veículos foi apreendido até agora porque não transportava passageiros.

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A iniciativa de procurar Mesquita partiu do vice-prefeito Eduardo Cavaliere, que vai herdar a cadeira de Paes nos próximos dias, já que o titular vai se desincompatibilizar para concorrer ao governo do estado. O prefeito de Mesquita, Alex Marotto Miranda (PL), disse ontem que a Procuradoria Geral do Município (PGM) ainda analisa a proposta da capital. Sem definir uma data, ele acrescentou que a decisão sobre firmar ou não a parceria será técnica, de gestão pública, e não por motivos políticos.

— A decisão será tomada levando-se em conta o que é melhor para a cidade. Há essa questão do Detro. Outra questão seria como integrar um serviço desses com o Bilhete Único Intermunicipal (com passagem a R$ 9,40 para o usuário de baixa renda) — explicou o prefeito.

Esse mesmo acordo foi proposto à prefeitura de Nova Iguaçu, mas não foi adiante depois de Rogério Lisboa (PP), ex-prefeito da cidade, não ser escolhido para ser o vice na chapa com Paes. Lisboa deverá ser o vice de Rafael Ruas (PL). Na mesma mesa de negociação, tem a possível filiação de Jorge Miranda, ex-prefeito de Mesquita, ao PSD, partido do prefeito do Rio.