Prefeitura do pai de Ruas gasta R$ 2,6 milhões em evento com Belo e Ferrugem em meio às críticas do deputado a megashows

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

No último fim de semana, a cidade gerida por Capitão Nelson (PL), pai do deputado estadual Douglas Ruas (PL), foi palco da quarta edição do São Gonçalo Fest, que promoveu apresentações de estrelas da música como os cantores Belo e Ferrugem. A prefeitura foi um dos principais patrocinadores do evento, desembolsando R$ 2,6 milhões para custear a estrutura montada no bairro de Alcântara. O investimento acontece no mesmo momento em que Ruas, candidato ao governo do Rio, passou a criticar recorrentemente o uso de dinheiro público para a realização de megashows — expediente adotado pelo seu principal rival, o ex-prefeito da capital Eduardo Paes (PSD), cuja gestão trouxe a Copabacana artistas como Lady Gaga e Madonna.

Este ano, a organização do São Gonçalo Fest ficou a cargo da Dual Produções, responsável por levantar verbas e, depois, viabilizar a estrutura. Segundo solicitação de recursos enviada em 1º de setembro pela empresa à Secretaria estadual de Turismo, na qual era pleiteado um aporte de R$ 500 mil para completar os gastos com a festa, a prefeitura local é descrita como a principal patrocinadora do evento. No documento, consta que a gestão de Capitão Nelson teria investido R$ 3,4 milhões nos festejos, cifra maior do que a informada pela própria prefeitura. A Enel, concessionária de energia que atende o município, teria repassado R$ 1 milhão, mesmo montante recebido da Funarj, a Fundação de Artes do Estado do Rio. A empresa descreve ainda um patrocínio direto de cerca de R$ 1,3 milhão, sem identificação, e o uso de recursos próprios de aproximadamente R$ 340 mil.

A planilha de atribuições presente na solicitação remetida à secretaria informa que o valor pago pela prefeitura seria empregado na construção de estruturas como palco, camarim dos artistas, iluminação e som. Ao todo, o evento estava orçado em cerca de R$ 7,5 milhões.

Em nota, a prefeitura de São Gonçalo negou o gasto de R$ 3,4 milhões e informou ter desembolsado os R$ 2,6 milhões para a festa. A administração argumenta que o São Gonçalo Fest é um evento privado que conta com empresas também privadas como patrocinadoras.

"O município deu apoio institucional, organizando o trânsito e ajudando na segurança externa com agentes da Guarda Municipal, e arcou com a estrutura de palco, som, iluminação e banheiros, como faz em outros eventos do calendário da cidade", diz a nota enviada pela prefeitura. A administração de Capitão Nelson não quis comentar as críticas de Douglas Ruas aos gastos públicos com shows.

Ao todo, foram cinco dias de São Gonçalo Fest, todos com entrada gratuita para a população. Dois deles foram dedicados a cultos religiosos, sendo uma noite só com atrações católicas e uma para evangélicos. Além de Belo e Ferrugem, também se apresentaram Mumuzinho, Manu Bahtidão, Tiee e a dulpa Matheus & Kauan. O próprio Capitão Nelson marcou presença em pelo menos dois dias de shows, sendo um deles o domingo, quando foi registrado o recorde de público, com 60 mil presentes. — A edição de hoje superou as expectativas. Fico muito feliz em apoiar esse evento e ver a população de São Gonçalo tão animada e ansiosa para ver seus ídolos da música — disse o prefeito durante a festa. Capitão Nelson no São Gonçalo Fest Divulgação Já Douglas Ruas reafirmou, em nota, que não pretende usar dinheiro público para bancar shows de artistas consagrados, principalmente estrangeiros. “Sua política será a de descentralizar atividades culturais, levando-as para além da Zona Sul da capital. Seu compromisso é o de dar oportunidade e apoio para que os fazedores de cultura das mais diversas localidades do estado consigam mostrar sua arte para o público do Rio real”, diz o texto. Ruas pontuou ainda que no evento em São Gonçalo os cachês dos artistas foram bancados por empresas privadas, "sem um centavo de dinheiro público". O investimento avalizado pelo pai, frisou, foi apenas na estrutura do evento, "sem sobrecarregar os cofres municipais".

Na campanha, Ruas transformou os megashows de Copacabana promovidos pela prefeitura da capital em um dos principais flancos de ataques a Paes. Criado em 2024, o projeto "Todo mundo no Rio" já viabilizou apresentações gratuitas de Madonna, Lady Gaga e, mais recentemente, Shakira. — Eu tenho chegado a alguns lugares e estão me perguntando: "Você não quer show?". Eu quero show. Eu quero um show de segurança no Rio. Eu quero um show de educação. Eu quero um show de saúde. Eu quero um show de proteção para as mulheres. No nosso governo, vai ter show, mas o protagonista do show não é a Madonna, não é o Eduardo Paes: é você, cidadão do estado do Rio de Janeiro — disse Ruas, ainda em seu primeiro evento oficialmente como candidato, há um mês.

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