Prefeitura de SP retoma área do Teatro de Contêiner, na antiga cracolândia
A prefeitura de São Paulo retomou a área de um terreno público na Rua dos Gusmões, na região central, onde fica o Teatro de Contêiner Mungunzá, nesta quinta-feira (15). A ação ocorreu após o Tribunal de Justiça de São Paulo reconhecer que o poder municipal tinha direito a retomar a área, na segunda-feira (12). A decisão veio depois do fim de um prazo de 90 dias para que o grupo de teatro desocupasse o espaço.
A companhia de teatro está no endereço há cerca de dez anos, realizando espetáculos e atividades culturais diversas no local. A prefeitura, no entanto, quer erguer no local unidades habitacionais de interesse social. Uma batalha judicial entre a companhia de teatro se iniciou e artistas como Fernanda Montenegro, Debora Falabella e Marieta Severo saíram em defesa do teatro.
A área do teatro fica no local onde se concentrava o principal fluxo da usuários de drogas da Cracolândia de São Paulo. Em maio, uma ação da prefeitura e do governo de estado dispersaram os dependentes, que estão espalhados pelo centro.
A prefeitura argumenta que vai construir um conjunto habitacional no espaço, com cerca de 80 apartamentos, voltado a famílias de baixa renda. Serão duas torres. Além disso, o projeto prevê uma praça com uma área de lazer e uma quadra, que será cercada e utilizada pelos moradores dos prédios e pela comunidade local.
Em nota, a gestão Nunes afirma que ofereceu quatro terrenos para realocação do teatro e que propôs também a concessão de R$ 100 mil como ajuda para viabilizar a mudança.
Em vídeo publicado nas redes sociais, o produtor Marcos Felipe, do Teatro de Contêiner, afirmou que a companhia aceitou um dos terrenos oferecidos pela prefeitura, na Rua Helvétia, também na região central. Ele afirma que o prazo de 90 dias não foi o suficiente para a mudança e acusa a gestão Nunes de falta de diálogo para viabilizar a ida para o novo espaço.
— Nós estamos desde o final de dezembro tentando diálogo com a Prefeitura, pedindo reunião para a gente organizar a retirada. A Prefeitura não está nos recebendo para conversar [. ..] Nós já aceitamos a saída desse teatro daqui, só que nós não temos condições financeiras de fazê-lo assim, de imediato. Isso aqui demanda uma estrutura de engenharia, uma estrutura de arquitetura, e a gente precisa do auxílio do poder público. Nós não somos intransigentes, a gente já aceitou — diz Felipe.
O GLOBO procurou a prefeitura sobre as declarações do produtor cultural e aguarda retorno.
