Prefeito de cidade em SP ameaça retomar prédio público após festa 'Sangria profana' na Sexta-feira Santa
O prefeito de Araçatuba, Lucas Zanatta (PL-SP), anunciou nesta segunda-feira que irá retomar um endereço cedido à Associação dos Artistas Teatrais da Região de Araçatuba (Associata), após a realização de uma festa no local gerar polêmica no município durante o feriado da Páscoa. Batizado de "Sangria Profana", o evento de música eletrônica e artes visuais aconteceu na Sexta-feira Santa.
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A controvérsia foi gerada pela presença de imagens ligadas ao cristianismo no material divulgado associado ao evento. O cartaz de divulgação contava com uma montagem que mostrava uma coroa de espinhos cercada de corpos nus.
A festa foi organizada pelo coletivo artístico Sangria, que publicou uma nota nas redes sociais após a repercussão do caso. Segundo o texto, o grupo "se reúne em residências criativas para desenvolver experiências sensoriais e promover reflexões sobre temas considerados tabus, como erotismo e a liberdade dos corpos, sempre com respeito, seriedade e abordagem artística". A página do coletivo, que se descreve como "encontro de música eletrônica e fetichistas", afirma ainda ser formado por pessoas de diferentes religiões.
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O coletivo afirma ainda que as imagens que circularam nas redes sociais foram retiradas de contexto. Nesta segunda-feira, o prefeito Lucas Zanatta publicou um vídeo no qual afirma ter tomado conhecimento da festa, que ele descreve como "um evento horrível", apenas no domingo.
— Decidimos que nós vamos retomar o prédio, o imóvel público, que foi cedido à associação de artistas em 2023 na gestão passada, com a finalidade de promover a arte da cidade, não o que vimos na sexta-feira. Fere a moralidade, fere as famílias, fere os valores de Araçatuba — diz o prefeito.
Vereadores do município também se posicionaram contra a festa. O vereador Matheus Leme (Psol-SP) afirmou que o evento fez "uso de elementos simbólicos do cristianismo de forma desrespeitosa" e ultrapassou "a finalidade para a qual um espaço público deve ser destinado". Ele, no entanto, afirmou também que o Centro Cultural da Associata presta "bons serviços à comunidade" e defendeu que a Câmara Municipal e a Prefeitura busquem uma forma de regulamentar o uso de espaços cedidos pelo Executivo.
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Já o vereador Ícaro Morales (MDB-SP) publicou um vídeo no qual, sob uma luz vermelha, refere-se ao evento como uma "festa satanista". Os vereadores Fernando Fabris (PL-SP) e João Pedro Pugina (PL-SP), por sua vez, afirmaram que o episódio foi um "crime contra cristãos" e fizeram uma denúncia ao Ministério Público de São Paulo.
Após a repercussão do caso, a Associata publicou uma nota defendendo-se. No texto, a associação lamenta que "agentes políticos façam uso da desinformação para obter engajamento em suas redes sociais, em uma tentativa de garantir capital político oriundo de fake news e mentiras". A Associata também fez referência ao vídeo de Morales:
"Acusar o Espaço Cultural de uma festa satanista em um vídeo repleto de efeitos visuais e frases de efeito é um sintoma claro de politicagem barata e feita apenas para mexer com a emoção de seus seguidores. O que poderia ser uma pauta seria de debate, se tornou um circo de horrores usado, ao final, como tentativa, para tomar o prédio do Centro Cultural Associata, que como dito, é realizado tantas atividades benéficas para a sociedade", diz a nota.
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A Associata também convocou uma manifestação a favor da associação no endereço na noite de segunda-feira. Em um vídeo publicado nas redes sociais, o gestor cultural Caique Teruel defendeu a Associata e destacou que mais 900 eventos já foram realizados no local em três anos.
— Já recebemos eventos gospel, já recebemos evento de rock, de pop. Shows, música, dança, diversas ações possíveis. Um espaço plural, democrático e laico, acima de tudo — diz Teruel no vídeo — É uma trajetória linda que não pode ser minimizada a um simples evento.
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