Prefeito cotado para ser vice de Cleitinho em Minas renuncia na véspera do prazo de descompatibilização
Cotado para assumir a vice de uma eventual candidatura do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), o prefeito de Patos de Minas e presidente da Associação Mineira de Municípios, Luís Eduardo Falcão (Republicanos), renunciou aos dois cargos. A decisão foi comunicada durante coletiva de imprensa concedida por ele nesta quinta-feira, próximo à data-limite do prazo de descompatibilização, que se encerra no próximo sábado (04).
No pronunciamento, o prefeito afirmou que deixa o cargo "com gratidão e sentimento de dever cumprido", mas disse que o momento agora é de "ampliar a missão e seguir contribuindo com Minas Gerais". Recém-filiado ao Republicanos, ele tem sido considerado para integrar uma chapa majoritária encabeçada por Cleitinho. Durante um evento do partido no mês, o senador elogiou Falcão e o descreveu como alguém que conhece a realidade das cidades mineiras por sua experiência no comando da AMM, que tem como afiliados 837 dos 853 municípios do estado.
A preferência de Cleitinho por Falcão contraria o atual governador do estado, Mateus Simões (Novo), que teve um atrito público com o prefeito no início do ano. Na época, a mulher dele, a deputada estadual Lud Falcão (Podemos), relatou ter recebido uma ligação em tom de ameaça de Simões, que, até então, era vice-governador de Minas, na gestão de Romeu Zema (Novo).
Em vídeo publicado em suas redes sociais, a parlamentar afirmou que Mateus disse que iria "fechar as portas do Executivo" para os dois, caso não recebesse um pedido de desculpas do marido dela por conta de um vídeo publicado por Falcão com críticas a ele. Depois do episódio, o prefeito relatou ao GLOBO que o contato entre os dois não foi retomado, mas defendeu uma unificação do campo da direita em Minas. Ele destacou, no entanto, que o nome de Cleitinho aparece na liderança nas pesquisas e que ele tem "a maior condição de encabeçar essa união". Caso a candidatura de Cleitinho não se concretize, Falcão também se coloca como opção para concorrer ao estado.
Direita dividida
Já o PL filiou na última terça-feira o presidente da Fiemg, Flávio Roscoe, cotado para uma possível candidatura ao governo mineiro e citado nas anotações vazadas do senador Flávio Bolsonaro (PL). O empresário foi recebido em um evento na sede do partido em Brasília, na presença do presidente nacional da sigla, Valdemar Costa Neto. O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) não compareceu por motivo de saúde na família.
Junto da filiação, Roscoe anunciou que deixará o comando da entidade. Ainda não foi decidido se o empresário irá concorrer ao governo de Minas ou se será indicado a vice em outra chapa. A sigla discute se lança candidatura própria, se apoia Simões ou se fecha aliança com Cleitinho.
Roscoe é visto como uma alternativa para manter o partido no controle do palanque no estado, seja como candidato ao governo ou como nome para compor uma chapa — especialmente na hipótese de acordo com Cleitinho.
O empresário ganhou força por ser tratado como um outsider. A leitura é que o perfil pode ajudar a ampliar o alcance da direita para além do núcleo político tradicional, dialogando com o setor produtivo e com eleitores menos vinculados a partidos. Além disso, dirigentes avaliam que ele reduz desgastes entre as diferentes alas do PL em Minas, que hoje estão divididas sobre o melhor caminho eleitoral — uma aliança com Cleitinho, por exemplo, divide o partido.
A definição sobre o papel de Roscoe deve ficar para as próximas semanas. Procurado pelo GLOBO, Cleitinho se disse aberto à possibilidade de tê-lo como vice, movimentação que deixaria de fora Falcão, mas negou
— Ainda não me procuraram, mas vamos conversar — afirmou.
