O reitor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Alfredo Gomes, afirmou ontem que os escombros do prédio incendiado em seu campus no Recife devem ser escorados em até 15 dias. A medida é necessária para que peritos da Polícia Federal (PF) possam entrar no imóvel com segurança e realizar a perícia para investigar a causa do fogo. — Não tem data, mas eu creio que, nesses próximos 15 dias, a gente também terá isso resolvido — afirmou Gomes, segundo o g1. Incêndio na UFPE: Polícia Federal usa robô e drone para perícia enquanto prédio ainda corre risco de desabar Queda de avião da PM de Minas: Três mortos são identificados; piloto havia voltado da licença-maternidade De acordo com o reitor, a UFPE está em contato com uma empresa já contratada para outros serviços e pretende fazer um aditamento ao contrato para incluir o escoramento do prédio. A intenção é que o serviço de escora seja realizado “imediatamente”, segundo ele. — O ministério (da Educação) também se comprometeu em garantir esses recursos, mas os valores para isso não são expressivos — ele afirmou. A PF já iniciou a perícia anteontem, com o uso de um drone e de um robô equipado com câmera para avaliar os danos no interior do prédio. O local permanece isolado por falta de segurança, devido ao risco de desabamento. 'Estamos sendo defumados vivos': Moradores de Manaus sofrem nova onda de fumaça por queimadas e Defesa Civil emite alerta A investigação também analisa imagens de câmeras de segurança e registros de quem esteve no campus na noite do incêndio, fornecidos pela universidade. Segundo Rodrigo Bastos, delegado regional executivo da PF, peritos do Instituto Nacional de Criminalística, em Brasília, irão ao Recife para examinar o local. — Vamos tentar identificar o que deu início ao incêndio e reconstituir a dinâmica dos fatos no local, nos momentos que antecederam esse evento. Então, as diligências estão em andamento. O inquérito está instaurado, houve várias oitivas hoje, continuarão amanhã e nos próximos dias — disse. O reitor Alfredo Gomes afirmou que, embora antigo, o prédio passava por manutenção regular. Segundo ele, os materiais inflamáveis armazenados nos laboratórios estavam acondicionados adequadamente e não teriam causado o incêndio. Durante a pandemia, o espaço foi usado para pesquisas relacionadas à Covid-19. Antes, funcionava ali um restaurante universitário. Ontem, a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, anunciou um investimento de R$ 40 milhões para a compra de equipamentos de laboratório perdidos no incêndio. O valor se soma aos R$ 28 milhões anunciados pelo ministro da Educação, Leonardo Barchini, para a reconstrução do prédio. Os recursos para a compra dos equipamentos, provenientes do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), estão disponíveis para transferência à universidade. O auxílio emergencial corresponde ao mesmo valor anteriormente aplicado pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) na infraestrutura de pesquisa do centro. A previsão é reconstruir o imóvel, de dois pavimentos, com base no projeto executivo de um centro de pesquisas da UFPE localizado em Sertânia, no interior pernambucano. Até a conclusão das obras no Recife, os novos equipamentos serão instalados em outros laboratórios da universidade. Vinte anos de pesquisa O incêndio comprometeu cerca de 80 dissertações e teses de doutorado em andamento. Em nota, a Academia Brasileira de Ciências (ABC) e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) lamentaram o ocorrido e afirmaram que, “além dos equipamentos e insumos perdidos, o incêndio consumiu dados de aproximadamente 20 anos de pesquisa”. Cerca de 200 estudantes, da graduação ao doutorado, foram afetados pela perda de materiais. Eles terão os prazos estendidos e poderão continuar os estudos em outras universidades brasileiras ou em instituições da Alemanha, dos Estados Unidos e da França, que já ofereceram ajuda.
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Prédio incendiado na UFPE passará por escoramento para permitir perícia presencial da PF
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O Globo
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