Prédio da polícia militar russa desaba em base próxima a São Petersburgo
Um prédio da polícia militar russa desabou nesta terça-feira em uma base militar em Sertolovo, na região de Leningrado, próxima a São Petersburgo, segunda maior cidade da Rússia. As causas do incidente ainda não foram estabelecidas, e equipes de resgate atuam no local. Meios de comunicação da área mostraram o prédio parcialmente desabado e afirmaram que pelo menos duas pessoas morreram, embora fontes oficiais ainda não tenham confirmado os óbitos.
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“Ordenei às forças de segurança que ajudem o Exército a remover os escombros e resgatar as vítimas do desabamento de um prédio da polícia militar situado na base militar de Sertolovo”, escreveu no Telegram o governador regional, Alexandre Drozdenko.
Desabamentos acidentais de prédios, em particular relacionados a vazamentos de gás, ocorrem com regularidade na Rússia. Desde o início da ofensiva em larga escala contra a Ucrânia, em fevereiro de 2022, as Forças Armadas ucranianas também têm atacado repetidamente instalações militares, enquanto Moscou direciona suas ofensivas à rede elétrica, mergulhando as principais cidades da Ucrânia em longos períodos de frio e escuridão com temperaturas congelantes.
O anúncio do desabamento em Sertolovo foi feito no mesmo dia em que Moscou lançou um novo ataque combinado de drones e mísseis contra o território ucraniano. A ofensiva, por sua vez, foi feita horas antes da retomada das negociações trilaterais para o fim do conflito. Com mediação de Washington, ambos os lados devem discutir em Genebra nesta terça e na quarta-feira temas como a cessão territorial, que trava o avanço das conversas.
— A ideia é discutir um leque mais amplo de questões, incluindo, de fato, as principais. As principais dizem respeito tanto aos territórios quanto a tudo o mais relacionado às demandas que apresentamos — disse o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, na segunda-feira.
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Já do lado ucraniano, o secretário do Conselho de Segurança e Defesa Nacional da Ucrânia, Rustem Umerov, escreveu nas redes sociais que a delegação de seu país tem trabalhado “de maneira construtiva”, focada e “sem expectativas excessivas”. Ele afirmou, ainda, que a tarefa do grupo enviado por Kiev consiste em “impulsionar ao máximo as soluções que possam” aproximar os dois lados de “uma paz sustentável”.
As reuniões trilaterais na Suíça, que seguem duas rodadas anteriores realizadas nos Emirados Árabes Unidas, ocorrem na semana em que se completam quatro anos do início da invasão em larga escala iniciada por Moscou, em 24 de fevereiro. Sob pressão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, as delegações avançaram em Abu Dhabi em questões técnico-militares para definir uma estratégia de saída do conflito, como mecanismos de retirada, cessar-fogo e monitoramento.
— Bem, temos grandes conversas. Vai ser muito fácil. Quero dizer, vejam, até agora, a Ucrânia é melhor que se sente à mesa rapidamente. É tudo o que digo — disse Trump a bordo do Air Force One na segunda-feira.
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Os principais impasses, no entanto, seguem bloqueados. Especialmente a exigência russa de 22% do território de Donetsk, na região de Donbass, pelo qual disputa militarmente e que ainda não conquistou, além da gestão da usina nuclear de Zaporizhzhia, em área ocupada pela Rússia. Em outros pontos do documento de 20 itens em negociação, houve avanços. Entre eles, a previsão de congelamento de parte da frente de batalha nas províncias de Zaporizhzhia e Kherson.
Os russos se retirariam das áreas ocupadas nas províncias de Sumy, Kharkiv e Dnipropetrovsk. O Exército ucraniano não poderia ter mais de 800 mil soldados e Kiev renunciaria à entrada na Otan, a aliança militar do Ocidente. Como resultado concreto, na segunda rodada de encontros foi fechado apenas o intercâmbio de prisioneiros de guerra. A troca — a primeira em cinco meses — permitiu o retorno de 157 detidos de cada lado.
Desta vez, também está em discussão a possibilidade de uma trégua temporária nos ataques à infraestrutura energética, em uma semana em que as temperaturas na Ucrânia voltaram a cair para cerca de -15ºC. Apesar das condições extremas, Moscou lançou 365 drones e 24 mísseis nesta terça-feira. Ao informar sobre a ofensiva, o líder ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou que, “para que a paz seja real e justa, a ação deve se dirigir à única fonte dessa agressão”:
“É Moscou quem continua com os assassinatos, os ataques em massa e as ofensivas”, escreveu. (Com AFP)
