Preços de hortaliças disparam em Belém e altas passam de 40% em 2026
O preço de hortaliças, verduras e legumes comercializados em feiras livres e supermercados de Belém registrou forte alta no primeiro quadrimestre de 2026, segundo levantamento divulgado nesta terça-feira (12) pelo Dieese no Pará. Em alguns produtos, o aumento acumulado entre janeiro e abril ultrapassou 40%, pressionando o orçamento das famílias paraenses.
De acordo com a pesquisa, a maioria dos itens analisados apresentou elevação acima da inflação geral estimada em cerca de 2% no período. A maior alta foi registrada na beterraba, que chegou a R$ 8,73 o quilo em abril e acumulou aumento de 45,02% no quadrimestre. Em seguida aparecem a cenoura, vendida a R$ 8,82 o quilo e com alta de 42,03%, o repolho, a R$ 8,33 o quilo (+37,91%), a cebola, comercializada a R$ 6,49 o quilo (+30,58%), além do chuchu, a R$ 7,98 o quilo (+27,48%), e do maxixe, que atingiu R$ 16,87 o quilo (+27,32%).
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Também tiveram reajustes expressivos o quiabo, vendido a R$ 16,44 o quilo e com alta acumulada de 24,26%, o jambu, comercializado a R$ 3,86 o maço (+22,54%), a batata, que chegou a R$ 7,51 o quilo (+20,35%), e o pepino, vendido a R$ 7,43 o quilo (+18,69%). Outros produtos amplamente consumidos pela população, como abóbora, couve, chicória, alface e feijão-verde, também apresentaram aumento acima de 10% no acumulado do ano.
Na comparação entre abril e março deste ano, os maiores aumentos foram observados na cenoura, com alta de 12,79%, seguida pelo repolho (12,57%), cebola (8,89%) e beterraba (8,58%). O levantamento aponta ainda reajustes no pepino, maxixe, batata-doce rosa, chuchu, quiabo e macaxeira.
Apesar de alguns produtos terem registrado queda de preços no período mensal, como o feijão-verde, vendido a R$ 3,57 o maço após recuo de 6,05%, a batata-doce branca, a R$ 10,51 o quilo (-5,74%), e a couve, comercializada a R$ 3,51 o maço (-2,50%), o DIEESE avalia que as reduções foram pontuais e insuficientes para compensar o movimento predominante de alta.
Chuvas e combustíveis pressionam preços
No acumulado dos últimos 12 meses, entre abril de 2025 e abril de 2026, o cenário também foi marcado por aumentos significativos. A beterraba liderou novamente o ranking, com elevação de 63,79%, seguida por repolho (44,62%), cenoura (37,17%) e cebola (36,34%). O pimentão verde, vendido atualmente a R$ 10,78 o quilo, teve alta acumulada de 29,88%, enquanto o chuchu avançou 26,67% no período.
Segundo o DIEESE/PA, fatores climáticos, logísticos e estruturais ajudam a explicar o encarecimento dos alimentos. O período do inverno amazônico, marcado por chuvas intensas, afeta a produção agrícola, dificulta a colheita e compromete o transporte dos produtos, especialmente em áreas rurais e regiões mais afastadas.
O levantamento também aponta que o aumento dos combustíveis, principalmente do diesel, tem elevado os custos do frete e impactado diretamente a cadeia de distribuição de alimentos no estado. Em um território de grandes dimensões como o Pará, com forte dependência do transporte rodoviário e hidroviário, o efeito tende a ser repassado rapidamente ao consumidor final.
Para o DIEESE/PA, o avanço dos preços reforça a pressão sobre o custo de vida em Belém, sobretudo para as famílias de menor renda, que destinam parte significativa do orçamento à alimentação.
Variações de preço
• Beterraba: R$ 8,73/kg | +45,02% no quadrimestre
• Cenoura: R$ 8,82/kg | +42,03%
• Repolho: R$ 8,33/kg | +37,91%
• Cebola: R$ 6,49/kg | +30,58%
• Chuchu: R$ 7,98/kg | +27,48%
• Maxixe: R$ 16,87/kg | +27,32%
• Quiabo: R$ 16,44/kg | +24,26%
• Jambu: R$ 3,86/maço | +22,54%
• Batata: R$ 7,51/kg | +20,35%
• Pepino: R$ 7,43/kg | +18,69%
• Feijão-verde: R$ 3,57/maço | -6,05% no mês
• Batata-doce branca: R$ 10,51/kg | -5,74% no mês
• Couve: R$ 3,51/maço | -2,50% no mês
*Thaline Silva, estagiária de jornalismo, sob supervisão de Keila Ferreira, coordenadora do núcleo de Política e Economia
