Preço do petróleo: cenário pode piorar e pede atenção nos próximos meses, diz ex-diretor da ANP
O risco de desabastecimento de diesel no Brasil voltou ao debate diante da escalada dos preços internacionais do petróleo e das tensões geopolíticas. Na terça-feira (24), países europeus e aliados dos Estados Unidos defenderam uma iniciativa para reabrir o Estreito, e o Irã afirmou que embarcações consideradas "não hostis" poderão voltar a transitar.
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Em entrevista ao Jornal da CBN, David Zylbersztajn, ex-diretor-geral da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), afirmou que uma eventual flexibilização no tráfego de navios pelo Estreito de Ormuz pode trazer algum alívio, mas ainda de forma limitada.
O fluxo na região permanece muito abaixo do normal, o que mantém a pressão sobre a oferta de petróleo. Para o especialista, a normalização do mercado depende do fim do conflito. Até lá, a tendência é de instabilidade.
"Vejo que a coisa tem como piorar, inclusive por conta de ataques a instalações. E o que a gente tem que levar em consideração: nós estamos pensando, com razão, com uma preocupação de hoje. Mas acho que já deveria haver uma sinalização e uma preocupação com o que vai acontecer, pelo menos por um bom tempo, em termos de alguns meses, até que a situação se normalize."
Expectativa de escassez impulsiona preços
Zylbersztajn explicou que parte do diesel consumido no Brasil é importada e segue o preço do mercado internacional, que registrou alta nas últimas semanas. Ao mesmo tempo, o combustível produzido pela Petrobras é vendido internamente por valores inferiores, o que reduz o interesse de importadores. Ele também destacou que a expectativa de escassez já pressiona os preços.
"Quando você tem uma perspectiva de escassez, o preço aumenta. Mesmo que você ainda não tenha a restrição física, quem negocia, quem comercializa, já aumenta de antemão."
Medidas de mitigação
O especialista defende que o governo brasileiro adote medidas para mitigar os impactos. Entre elas, estão políticas de subsídio, já adotadas por outros países, além de ações de comunicação para esclarecer a população sobre a gravidade do contexto internacional. Ele também sugere campanhas de redução de consumo e investimentos em melhorias logísticas.
"Eu acho que o governo pode tomar medidas de ponto restritivo, quero dizer, em termos de amenizar o custo com subsídios, mas acho que ele tem que, de alguma maneira, também mostrar para a sociedade, buscar, por exemplo, campanhas de informação para redução de consumo e tentar aproveitar o momento para melhorar a logística."
