Preço do açaí sobe mais de 15% em Belém e pode ultrapassar R$ 70 o litro, aponta Dieese

 

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Levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos no Pará divulgado nesta terça-feira (17/3) aponta que o preço do litro do açaí voltou a subir em Belém em fevereiro de 2026, mantendo a trajetória de alta observada desde o início do ano. A elevação atinge diferentes tipos do produto e canais de venda, como feiras livres, pontos de comercialização e supermercados.


De acordo com a pesquisa, o açaí do tipo médio apresentou aumento expressivo no período recente. Após relativa estabilidade no fim de 2025 e em janeiro de 2026, o preço médio do litro passou de R$ 28,82 para R$ 33,15 em fevereiro, uma alta de 15,02% no mês. No acumulado do primeiro bimestre, o reajuste chega a 15,22%, enquanto em 12 meses a elevação é de 12,64%.


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Alta generalizada e variação de preços


O açaí do tipo grosso também registrou aumento significativo. O preço médio do litro passou de R$ 41,95 em janeiro para R$ 47,19 em fevereiro, o que representa alta mensal de 12,49%. No acumulado de 2026, a variação é de 13,30%, e, em 12 meses, o aumento chega a 16,84%.


Segundo o DIEESE, os reajustes superam com folga a inflação oficial do período, estimada em 3,81% pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, indicando pressão significativa sobre o custo de vida da população local.


Além da elevação média, a pesquisa destaca a ampla variação de preços conforme o tipo do produto e o local de comercialização. Na última semana de fevereiro, o litro do açaí médio foi encontrado entre R$ 30 e R$ 42 em feiras livres, enquanto nos supermercados variou de R$ 34,99 a R$ 38. Já o tipo grosso apresentou preços entre R$ 40 e R$ 60 nas feiras e entre R$ 49,99 e R$ 55 nos supermercados.


Entressafra e custos pressionam valores


De acordo com a análise do DIEESE, a alta dos preços está relacionada principalmente a fatores sazonais e estruturais. A entressafra do açaí reduz a oferta do fruto, enquanto o aumento dos custos de produção e distribuição — como transporte, energia e armazenamento — contribui para o encarecimento do produto.


Outro fator apontado é a demanda aquecida, tanto no mercado interno quanto no externo, o que intensifica a pressão sobre os preços.


A tendência, segundo o órgão, é de manutenção da carestia ao menos até o fim da entressafra. Dados mais recentes indicam que, na primeira quinzena de março de 2026, o litro do açaí já pode ser encontrado por valores superiores a R$ 70 em alguns pontos de venda da capital, a depender do tipo e do local de comercialização, reforçando o impacto no orçamento das famílias paraenses.


Açaí tipo médio (litro)


• Fevereiro de 2026: R$ 33,15

• Janeiro de 2026: R$ 28,82

• Dezembro de 2025: R$ 28,77

• Fevereiro de 2025: R$ 29,43


Variações registradas:

• Alta no mês: 15,02%

• Acumulado em 2026: 15,22%

• Acumulado em 12 meses: 12,64%


Açaí tipo grosso (litro)


• Fevereiro/2026: R$ 47,19

• Janeiro/2026: R$ 41,95

• Dezembro/2025: R$ 41,65

• Fevereiro/2025: R$ 40,39


Variações:

• No mês: 12,49%

• No ano (jan–fev/2026): 13,30%

• Em 12 meses: 16,84%


*Thaline Silva, estagiária de jornalismo, sob supervisão de Keila Ferreira, coordenadora do núcleo de Política e Economia