Preço de hortaliças dispara em Belém e alta chega a 70% em 12 meses, aponta Dieese

Preço de hortaliças dispara em Belém e alta chega a 70% em 12 meses, aponta Dieese

Fonte: Bandeira



Os preços das hortaliças, verduras e legumes comercializados em feiras livres e supermercados de Belém continuam em forte alta e já acumulam aumentos de até 70% nos últimos 12 meses, segundo levantamento divulgado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos no Pará (Dieese-PA). A pesquisa mostra que itens básicos da alimentação das famílias paraenses ficaram significativamente mais caros entre maio de 2025 e maio de 2026.


De acordo com o Dieese, a beterraba foi o produto com maior aumento no período, acumulando alta de 70,16%. O quilo do alimento passou de R$ 5,16 para R$ 8,78 em média. Logo em seguida aparece a cenoura, que subiu 68,85% em 12 meses, saindo de R$ 6,10 para R$ 10,30 o quilo.


O repolho também apresentou forte reajuste, com aumento de 58,83%, chegando ao preço médio de R$ 8,72 o quilo. Já a cebola, um dos itens mais consumidos no dia a dia das famílias, acumulou alta de 39,35% e atualmente custa, em média, R$ 7,26 o quilo em Belém.


Entre os produtos que também registraram aumentos expressivos estão o pimentão verde, com alta de 35,48% e preço médio de R$ 11,76 o quilo, além da batata lavada, que ficou 28,80% mais cara e passou a custar R$ 7,96 o quilo.


Altas seguem em 2026


Segundo o Dieese-PA, o movimento de alta permanece ao longo de 2026. Apenas nos cinco primeiros meses do ano, a cenoura já acumula aumento de 65,86%, enquanto a cebola subiu 46,08% e a beterraba teve reajuste de 45,85%.


Outros produtos bastante consumidos pelos paraenses também apresentaram aumentos acima da inflação acumulada do período, estimada em cerca de 2,7%. É o caso do repolho (44,37%), maxixe (37,51%), quiabo (31,14%) e jambu (30,48%).


Atualmente, alguns dos preços médios encontrados em Belém são:


Cenoura: R$ 10,30 o quilo

Beterraba: R$ 8,78 o quilo

Cebola: R$ 7,26 o quilo

Repolho: R$ 8,72 o quilo

Quiabo: R$ 17,35 o quilo

Maxixe: R$ 18,22 o quilo

Pimentão verde: R$ 11,76 o quilo

Batata lavada: R$ 7,96 o quilo


Chuvas e frete ajudam a explicar aumento


Segundo o supervisor técnico do Dieese-PA, Everson Costa, diversos fatores têm pressionado os preços dos hortifrutigranjeiros na capital paraense.


Entre os principais motivos está o período de chuvas intensas no Pará, que compromete a produção agrícola, dificulta a colheita e reduz a oferta de alimentos. Além disso, o mercado paraense depende fortemente de produtos vindos de outros estados, especialmente itens como cebola, batata, cenoura e beterraba.


“O Pará possui forte dependência do abastecimento externo de diversos hortifrutigranjeiros. Problemas climáticos em outras regiões produtoras acabam impactando diretamente os preços praticados em Belém”, destaca o Dieese.


Outro fator apontado pelo levantamento é o custo logístico. Apesar da recente redução no preço do diesel, os custos de transporte continuam elevados. Em um estado com grandes distâncias territoriais e dependência do transporte rodoviário e hidroviário, o frete ainda influencia diretamente os preços finais cobrados nos supermercados, feiras e mercados.


Produtos que ficaram mais baratos


Apesar do cenário de alta generalizada, alguns itens apresentaram redução nos preços nos últimos 12 meses. A principal queda foi registrada na macaxeira, que ficou 17,28% mais barata no período, passando a custar R$ 6,56 o quilo em média.


Também houve redução nos preços da couve (-7,50%), jambu (-6,59%), batata-doce branca (-2,13%), chicória (-1,38%) e cariru (-0,82%).


Impacto no orçamento das famílias


O Dieese avalia que o aumento contínuo nos preços das hortaliças e legumes pesa principalmente sobre as famílias de menor renda, que comprometem parcela maior do orçamento com alimentação.


A pesquisa aponta ainda que os reajustes não estão concentrados em poucos produtos, mas atingem um conjunto amplo de itens essenciais consumidos diariamente pelos paraenses, ampliando o impacto no custo de vida em Belém.