‘É preciso encarar o problema’, diz pastora que viralizou ao falar sobre abuso sexual dentro da igreja
Nos últimos dias, um discurso feito em um dos maiores congressos evangélicos do Brasil gerou grande repercussão nas redes sociais ao tratar de temas como violência doméstica, abuso sexual e pedofilia dentro da igreja. A fala em questão foi feita durante uma pregação da pastora Helena Raquel, líder da Assembleia de Deus Vida na Palavra (ADPIV) no Rio de Janeiro.
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Em entrevista ao Estúdio CBN nesta sexta-feira (8), a pastora fala sobre o retorno que teve das pessoas que tiveram contato com o vídeo, tanto dentro quanto fora da comunidade cristã.
“Tive um retorno excelente de ambas as partes, mas em momento nenhum eu presumi um alcance dessa natureza. As pessoas se sentiram representadas, no sentido da dor. E o lado mais importante para mim, enquanto pregadora e pastora, é perceber que algumas dessas pessoas não acreditavam que havia um enfrentamento tão direto a questões feito em um púlpito”, conta.
Durante o congresso, Helena menciona uma passagem da Bíblia que trata sobre um caso de abuso coletivo. Sob consentimento de seu marido e da comunidade, o abuso culmina na morte da mulher.
Ela também critica o silêncio da instituição, bem como a omissão de líderes religiosos e de membros da igreja que cometem tais crimes. Em um dos trechos viralizados, a pastora diz que “não existe capacidade de se encontrar na mesma figura um pastor e um abusador; ou é pastor, ou é abusador”.
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Questionada sobre o poder que líderes religiosos exercem diante de seus seguidores, especialmente quanto aqueles que cometem esses crimes, a pastora diz que o principal fator de influência é o carisma.
“Se pararmos para pensar em lideranças ao longo da história do mundo, poderíamos refletir por alguns minutos quanto ao que faz uma pessoa, por exemplo, seguir um discurso nazista. É tão absurdo e assustador, mas praticamente um país inteiro caminhou com influências por toda a Europa e mundo afora por isso. A voz de um homem que influencia outros homens e que, concomitantemente, faz com que um país e regiões em torno vejam o absurdo em uma reação em massa. É o carisma na mão errada. É alguém que usa sua retórica fascinante para o mal. Há uma carência generalizada por referências e, quando as pessoas olham para alguém, é como se elas não precisassem mais decidir. Falando propriamente de líderes religiosos, falar em nome da divindade para um leigo que não tem o conhecimento da Bíblia o coloca na posição de inquestionável”, explica.
Helena ainda acredita que é necessário que a comunidade nomeie corretamente as situações, a fim de reconhecer a violência para que ela seja combatida.
“O inimigo que a gente nega, a gente não vence. Eu não exponho a igreja quando digo que precisamos tratar isso. Ao contrário, eu acredito que é saudável e que precisamos encarar o problema com inteligência. (...) Nos grandes centros, não é falta de informação, é má vontade. Mas, em muitos lugares, a ignorância ainda impede que as coisas mudem”, diz.
