Pré-candidatura de Sérgio Moro ao governo do Paraná divide o PL e gera reação do União Brasil

 

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A pré-candidatura do senador Sergio Moro (União) ao governo do Paraná gera divisão no campo da direita no estado. Enquanto a federação entre União e Progressista enfrenta um impasse interno sobre o endosso ao ex-juiz da Lava-Jato, o PL, do senador e pré-candidato ao Planalto Flávio Bolsonaro (RJ), avalia a possibilidade de apoiá-lo como candidato próprio do bolsonarismo ou se manter na aliança do governador Ratinho Júnior (PSD).

À frente nas pesquisas, o ex-ministro da Justiça do governo Bolsonaro se tornou foco de interesse de Flávio, que tem buscado articular palanques próprios nos estados. O eventual embarque na candidatura de Moro e até mesmo uma possível migração do parlamentar para o PL, porém, ainda depende da definição do cenário nacional e do papel que será desempenhado por Ratinho Júnior no pleito presidencial.

O governador paranaense é uma das opções do PSD para a construção de uma candidatura de “terceira via” contra Flávio e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na corrida presidencial. Se confirmado, o voo de Ratinho ao Planalto dificultaria a composição de seu grupo político com o PL no estado.

Ratinho Júnior, que deve indicar o secretário das Cidades, Guto Silva (PSD), como sucessor na eleição do Paraná, tem acenado ao partido de Bolsonaro com a possibilidade de a legenda indicar um nome ao Senado na chapa. O deputado federal Filipe Barros (PL) já foi anunciado por Flávio, na semana passada, como postulante à Casa.

Questionado sobre a articulação de Flávio para atrair Moro para o partido, Filipe Barros negou essa possibilidade e disse que a sigla deverá permanecer na aliança de Ratinho.

— Não existe convite. O Flávio Bolsonaro, meu amigo e nosso pré-candidato a presidente, não convidou o senador Sergio Moro para o PL. Estamos decididos. Nós continuaremos caminhando ao lado do governador Ratinho Júnior por entender que aquilo que ele construiu ao longo desses últimos anos foi essencial para o Paraná — afirmou em entrevista à rádio Alternativa FM.

Procurado pelo GLOBO, Moro não quis se manifestar. Por fora, o deputado federal Giacobo (PL-PR), que preside o diretório estadual do partido, se coloca como opção de palanque próprio para Flávio no estado.

Giacobo articulou para ter o nome testado pela primeira vez em uma pesquisa de intenção de voto contratada pelo diretório nacional da sigla e conduzida pelo instituto Paraná Pesquisas. A divulgação do resultado, no entanto, foi impedida por uma decisão liminar do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do estado na semana passada, que argumentou que a difusão do resultado poderia “influenciar de maneira irreversível a opinião pública e comprometer o equilíbrio do pleito”.

Crise em casa

Já na federação que Moro integra, a oposição vem do PP, principalmente de suas bancadas de deputados federais e estaduais. O presidente nacional da legenda, o senador Ciro Nogueira (PI), tem declarado desde o ano passado que não homologará uma candidatura do ex-juiz da Lava-Jato.

Apesar dos esforços do União para chegar a um acordo, a decisão do PP foi reiterada num encontro na semana passada entre Ciro Nogueira e representantes eleitos na Câmara. Mesmo após a negativa do PP, o presidente nacional do União, Antonio Rueda, saiu em defesa do correligionário, descrevendo-o como “líder absoluto em todas as pesquisas”, e disse que “a imposição de vetos arbitrários é inaceitável”.

O PP tem a expectativa de filiar o ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca (PSD) e lançá-lo na corrida pelo Palácio do Iguaçu ou integrar uma composição junto ao presidente da Assembleia Legislativa, Alexandre Curi (PSD), que deverá migrar para o Republicanos nas próximas semanas. Tanto Greca quanto Curi são aliados de Ratinho Júnior, mas pretendem se lançar ao governo, mesmo que o governador confirme Guto Silva como seu nome na corrida.

Demais cotados para a disputa

Guto Silva (PSD) — Secretário das Cidades é visto como o favorito do governador Ratinho Júnior para disputar o Executivo. Enfrenta adversários dentro do próprio partido.

Alexandre Curi (PSD) — Presidente da Assembleia Legislativa considera migrar para o Republicanos caso não seja escolhido como sucessor pelo governador.

Rafael Greca (PSD) — Ex-prefeito de Curitiba e secretário de Desenvolvimento Sustentável é cotado para ser candidato pelo PP e enfrentar Moro nas urnas.

Requião Filho (PDT) — Deputado estadual concorrerá com o apoio do PT, que abriu mão de encabeçar a chapa para ter um palanque competitivo para o presidente Lula.