Pré-candidato do PT ao governo do DF afirma que convidou PSB para unificar chapa, mas descarta ser vice
Pré-candidato ao governo do Distrito Federal pelo PT, o ex-deputado distrital Leandro Grass afirmou que o partido convidou o PSB para compor uma chapa unificada ao Palácio do Buriti. A sigla comandada pelo ex-prefeito de Recife João Campos conta com a pré-candidatura de Ricardo Cappelli. Nenhum deles, no entanto, manifesta a possibilidade de sair como vice.
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— O PT Nacional já afirmou que terá candidatura em BrasÃlia. A nossa candidatura é irreversÃvel. Entendemos que o PSB pode, e deve, compor conosco. Já oferecemos a vice, por exemplo. Já abrimos canal para dialogar sobre outros espaços e prioridades. Agora a decisão está com o PSB, e a gente quer que essa unidade aconteça — disse Grass, em entrevista concedida ao portal Poder360.
O pré-candidato do PT afirmou que "respeita muito" Cappelli e a direção do PSB, mas ressaltou que seu partido está construindo "uma frente" polÃtica. Em sua chapa majoritária, já estão confirmadas as pré-candidaturas ao Senado da deputada federal Erika Kokay (PT) e da senadora Leila do Vôlei (PDT), que tentará a reeleição.
De acordo com Grass, o desejo é que o PSB passe a integrar a composição. Com a vaga para vice-governador ainda em aberto, o petista também declarou que espera construir essa "unidade essencial" para seu projeto.
— Quando nós nos dividimos, nós perdemos, quando nós nos unimos, nós ganhamos. Então, é preciso que haja essa compreensão polÃtica de que este campo, que é o campo que apoia o presidente Lula (PT), esteja unido em BrasÃlia — completou.
Grass foi candidato ao governo em 2022. Na ocasião, ele perdeu para o ex-governador Ibaneis Rocha (MDB) no primeiro turno, àquela altura reeleito para comandar o DF. O petista ficou com 26,25% dos votos, enquanto Ibaneis marcou 50,30%.
Já em 2018, Ibaneis havia enfrentado um candidato justamente do PSB, Rodrigo Rollemberg, hoje deputado federal. Ele venceu o segundo turno com 69,79% dos votos, contra 30,21% do adversário.
Cappelli ganhou destaque quando atuou como Interventor Federal na Segurança Pública do Distrito Federal à época dos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. Ele exerceu o cargo de secretário-executivo do Ministério da Justiça e Segurança Pública no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Ainda em 2023, ele chegou a assumir interinamente o Gabinete de Segurança Institucional (GSI). Cappelli deixou o posto em 2024, com a saÃda do então ministro da Justiça, Flávio Dino, para o Supremo Tribunal Federal (STF). Depois, ele presidiu a Agência Brasileira de Desenvolvimento (ABDI) até abril deste ano, quando saiu para se dedicar à pré-campanha.
Já Grass foi nomeado como presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e ArtÃstico Nacional (IPHAN) no inÃcio do governo Lula, em janeiro de 2023. Ele também deixou o cargo no mês passado para se empenhar nas eleições.
Banco Master
Após a renúncia de Ibaneis Rocha (MDB), a vice-governadora Celina Leão (PP) tomou posse como chefe do Executivo do Distrito Federal no final de março. Ela foi eleita na chapa de Ibaneis em 2022, à época deputada federal, e é pré-candidata à reeleição ao Palácio do Buriti nas eleições deste ano.
Ibaneis deixou o cargo de olho em se candidatar ao Senado em uma composição bolsonarista, o que passou a ser dificultado devido aos desgastes de sua gestão em meio ao envolvimento do Banco de BrasÃlia (BRB) no escândalo do caso Master. O BRB vive uma crise desde a descoberta de perdas bilionárias com operações realizadas com o Banco Master que estão na origem da Operação Compliance Zero, da PolÃcia Federal.
Com sua pré-candidatura ao Senado ainda indefinida, o mandatário viu o PL romper com a sua gestão após o partido protocolar um pedido de abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara, com o objetivo de apurar a relação entre os bancos e questionar a "ausência de explicações concretas" por parte do governo do DF em negociações financeiras feitas com o Master.
Grass e Cappelli, por sua vez, apostam no avanço das investigações do Banco Master para desgastar a reeleição de Celina. Ao assumir o controle do DF, a governadora destacou não ter participado de decisões sobre o caso e prometeu respostas a partir do rigor nas investigações.
