É possível mudar? Peruano cria programa que aposta na cura emocional para homens considerados 'tóxicos'
“Homem nem é gente.” A frase se repete sempre que uma infidelidade protagonizada por um homem se torna pública, quando um “flagra” explode nas redes sociais ou na televisão. Nesse contexto, o termo “masculinidade tóxica” surge como uma forma de explicar comportamentos que, durante anos, foram normalizados. Mas o que está por trás dessas atitudes? É possível mudar? Dá para deixar de ser essa pessoa?
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Para Bruno Drago, coach de masculinidade, engenheiro e criador do programa Equilíbrio Masculino, a resposta está na raiz emocional. E essa busca, segundo ele, começou consigo mesmo.
— Isso nasce de um processo interno meu. Anos atrás não existiam espaços onde os homens pudessem trabalhar seu mundo emocional. Havia uma grande necessidade não atendida — afirma.
Durante décadas, explica o especialista, a masculinidade foi construída sobre a negação da vulnerabilidade: não sentir, não demonstrar, não falar. O resultado, segundo Drago, é claro: homens desconectados de si mesmos.
— Para mim, a masculinidade tóxica é um homem que não sabe lidar com sua emocionalidade, que não se conhece — diz.
Essa desconexão se reflete principalmente nas relações: infidelidade, ciúmes, controle e dependência emocional. Não são casos isolados, mas padrões que se repetem.
— O relacionamento é o principal lugar onde se vê como você está internamente — afirma.
O que chama atenção é que muitos homens não questionam esses comportamentos até que algo se rompa. A maioria dos casos atendidos por Drago começa em momentos de crise: uma separação, um término, uma família que se desfaz.
— A dor é a porta. É aí que surge a oportunidade de mudança — sustenta.
Ponto de virada
A partir daí, começa o trabalho. O programa propõe um processo estruturado: avaliação inicial, diagnóstico emocional e um caminho passo a passo que combina hábitos, revisão de crenças e o enfrentamento de feridas da infância. Isso porque, segundo ele, o problema visível não é o verdadeiro problema.
— O padrão é apenas a ponta do iceberg. Se você não vai à raiz emocional, vai continuar repetindo o mesmo, mesmo sabendo que isso te faz mal — afirma. — Mas nada disso funciona sem uma decisão real: a mudança começa quando o homem para de se justificar — acrescenta.
Mudar implica desmontar uma identidade que foi validada socialmente por anos.
— Os padrões não surgem do nada. São comportamentos inconscientes que você vem repetindo e que geram sofrimento para você e para quem está ao seu redor. Se não olhar para a raiz, vai continuar fazendo o mesmo, mesmo sabendo que isso te prejudica — alerta Drago.
— Por isso, não se trata apenas de controlar a conduta, mas de entender de onde ela vem: que emoção, que história ou que ferida a sustenta — completa.
E o que um homem ganha ao fazer esse processo? “Autonomia”, responde o especialista. Capacidade de decidir de forma diferente, de não repetir padrões.
— Você deixa de estar preso a um comportamento automático. Pode escolher como agir — explica. Libertar-se da masculinidade tóxica não significa se tornar perfeito nem seguir um modelo ideal. Trata-se, antes, de deixar de agir de forma inconsciente e, sobretudo, de assumir a responsabilidade.
