O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, disse nesta semana que não foi a alta dos juros básicos que causou o superendividamento das famílias, mas sim o aumento da oferta de empréstimos.
Segundo ele, não dá para ficar “contente” com crédito maior e depois “reclamar” do endividamento no Brasil.
Nesse contexto, os analistas do UBS BB elencaram possíveis medidas que poderiam ser tomadas pelo BC para tentar desestimular a oferta de crédito pelos bancos.
Usando o exemplo de ciclos de crédito anteriores, os analistas apontaram que uma das possibilidades é o BC elevar os compulsórios, o que serve justamente para enxugar um pouco a liquidez dos bancos.
Isso foi feito em 2010, quando o crédito estava crescendo 17% ao ano, na esteira das medidas adotadas para combater a crise financeira mundial.
"Atualmente, o nível de compulsório dos bancos brasileiros está próximo da mínima histórica (e, desde a Covid, relativamente estável)."
Uma segunda possibilidade seria o BC elevar a ponderação de risco de certos tipos de empréstimos.
Isso foi feito em 2011, quando o financiamento aumotivo estava crescendo quase 20% e o consignado, 25%.
Uma terceira alternativa seria elevar o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), o que também foi feito naquele ano.
A quarta alternativa seria elevar o Adicional Contracíclico de Capital Principal (ACCP), uma reserva extra de capital que os bancos devem acumular nos períodos de forte crescimento do crédito para poder usar em momentos de crise ou retração econômica.
"Desde a implementação do requisito de capital contracíclico, ele foi estabelecido em zero", lembram os analistas do UBS BB.
O relatório também aponta que Galípolo revelou recentemente alguns detalhes sobre o uso do cartão de crédito no Brasil.
"O número de cartões no Brasil atingiu 96 milhões, o que representa 57% da população adulta.
Vale notar que 55% (53 milhões) utilizam crédito rotativo ou parcelado (com juros) e, desde 2020, 37 milhões de pessoas começaram a usar o cartão (e 18,8 milhões passaram a utilizar empréstimos com juros no cartão de crédito)."
O BC tem dado indicações de que estaria disposto a discutir possibilidades para tentar resolver idiossincrasias do sistema de cartões brasileiro, como o prazo de liquidação de 30 dias e o chamado "parcelado sem juros", que acaba gerando um desequilíbrio e fazendo que, para quem usa essas linhas, a taxa acabe sendo incrivelmente elevada.
A indústria chegou a debater mudanças nesse sentido em 2023, quando foi estabelecido o "muro inglês", com teto de juros de 100% no rotativo.
Entretanto, com interesses distintos de diversos elos da cadeia e sendo um tema altamente impopular, as conversas não avançaram.
O presidente do BC, Gabriel Galípolo, na abertura da Febraban Tech 2026
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