Portugal vai às urnas com extrema direita favorita a chegar ao segundo turno das eleições presidenciais
Milhões de portugueses vão às urnas neste domingo para escolher o substituto do presidente Marcelo Rebelo de Sousa, com um número recorde de 11 candidatos no pleito. Segundo as pesquisas, a extrema direita, principal força de oposição do país, pode colocar seu candidato, André Ventura, em um eventual segundo turno, previsto para 8 de fevereiro.
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As pesquisas indicam que Ventura, presidente do partido de extrema direita Chega, pode liderar a votação, embora o deputado de 42 anos tenha poucas chances de vencer o segundo turno. Na disputa pela segunda colocação, o candidato socialista António José Seguro, de 63 anos, aparece com uma leve vantagem nas pesquisas sobre o eurodeputado liberal João Cotrim Figueiredo.
Ventura, de fato, encerrou a campanha pedindo aos demais partidos de direita que não “coloquem obstáculos” a um eventual segundo turno com o candidato socialista. Mas, em seu último comício na noite da última sexta-feira, o autoproclamado “candidato do povo” voltou a endurecer o discurso ao afirmar que não tentaria “agradar a todos” e prometer “colocar ordem” no país.
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— Espero que ele avance, e não apenas no primeiro turno — disse a apoiadora Isabel, de 62 anos. — Os outros candidatos pertencem a partidos que já estiveram no poder, e o resultado está aí. É sempre a mesma coisa.
O presidente do Chega disputou as eleições presidenciais de 2021, quando obteve 11,9% dos votos e terminou em terceiro lugar. Desde então, seu partido não parou de crescer nas urnas, alcançando 22,8% dos votos e 60 deputados nas eleições legislativas de maio do ano passado.
Apelo aos democratas
O candidato socialista António José Seguro apostou em uma imagem conciliadora e moderada, apresentando-se como defensor da democracia e dos serviços públicos.
— Apelo a todos os democratas, a todos os progressistas e a todos os humanistas para concentrarem seus votos em nossa candidatura — pediu Seguro no último dia de campanha.
Em Portugal, o presidente é, em grande parte, uma figura simbólica sem poder executivo. O chefe de Estado procura, sobretudo, manter-se acima das disputas políticas, mediando conflitos e atenuando tensões.
No entanto, o presidente é uma voz influente e possui ferramentas poderosas, podendo vetar leis aprovadas pelo Parlamento, embora o veto possa ser anulado. O chefe de Estado também detém o que, no jargão político português, se chama de "bomba atômica" — o poder de dissolver o Parlamento e convocar eleições antecipadas.
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Os acontecimentos políticos em Portugal têm pouca influência na direção geral da União Europeia. O país possui uma das menores economias do bloco e suas Forças Armadas são de tamanho modesto.
— Precisamos de um presidente que melhore este país, porque a saúde, a educação, tudo precisa ser reconstruído — afirmou a vendedora de frutas Sofia Taleigo, de 55 anos.
