Portugal acelera plano espacial e quer transformar Açores em centro europeu de lançamentos

Portugal acelera plano espacial e quer transformar Açores em centro europeu de lançamentos

 

Fonte: Bandeira



Portugal quer se consolidar como uma potência espacial europeia e aposta no arquipelago dos Açores como peça central dessa estratégia. O país está investindo em infraestrutura para lançamentos de satélites, produção aeroespacial e desenvolvimento de cápsulas reutilizáveis, com o objetivo de transformar as ilhas em uma base estratégica para operações espaciais no Atlântico, informou a DW.

Shenzhou-23: Missão espacial da China deixará um astronauta em órbita por um ano; entenda

Características estruturais: Estudo explica como as pirâmides do Egito foram construídas para resistirem a terremotos

O principal projeto em andamento é a construção de um porto espacial na ilha de Santa Maria, nos Açores. A estrutura deverá servir como base para lançamentos de pequenos foguetes e operações de pouso de cápsulas reutilizáveis. A expectativa é que a nave de carga europeia Space Rider realize um pouso na região em 2028.

Segundo Ricardo Conde, presidente da Agência Espacial Portuguesa, criada em 2019, o país passou por uma forte modernização tecnológica nas últimas duas décadas. "Portugal se modernizou significativamente nos últimos 20 anos. Nossas universidades formam engenheiros excepcionais. Criamos capital humano que podemos desenvolver", afirmou à DW.

Galerias Relacionadas

Atualmente, cerca de duas mil pessoas trabalham no setor espacial português, distribuídas em aproximadamente 80 empresas. Em 2025, o segmento gerou receitas de cerca de 200 milhões de euros, o equivalente a R$ 1,1 bilhão.

Além da localização estratégica no meio do Atlântico, Portugal aposta no custo reduzido da operação.

A previsão é que o primeiro pouso marítimo autorizado em território da União Europeia aconteça ainda no segundo semestre de 2026, nos Açores. A operação será conduzida pela empresa alemã Atmos Space Cargo, responsável pela cápsula reutilizável Phoenix 2.1.

— As autoridades portuguesas aprovaram o primeiro pouso na água em território da UE para a cápsula de transporte Phoenix 2.1 — afirmou à DW Marta Oliveira, cofundadora da empresa.

Produção de satélites

Portugal também investe na ampliação de sua capacidade de fabricar satélites. Três centros industriais estão sendo desenvolvidos nas cidades do Porto, Coimbra e Lisboa para produzir equipamentos voltados a áreas como comunicação, monitoramento ambiental, observação dos oceanos e combate a incêndios florestais. Entre os destaques do setor está o consórcio CEiiA, que atualmente fabrica até quatro satélites civis por ano e pretende ampliar significativamente a produção nos próximos anos.

A estratégia do país é focar em satélites menores e mais baratos, com custo entre 20 milhões e 30 milhões de euros, em vez de grandes equipamentos espaciais. Segundo o presidente da Agência Espacial Portuguesa, Ricardo Conde, Portugal quer colocar 30 satélites em órbita até 2030, parte deles em parceria com a Espanha, além de atrair empresas internacionais e ampliar sua participação em projetos espaciais europeus, inclusive na área militar.