Portos crescem até setembro e projetam 1,45 bilhão de toneladas

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Fonte da notícia: Cafezinho Cafezinho

O setor portuário brasileiro mantém ritmo de expansão no acumulado de janeiro a setembro de 2026 e projeta fechar o ano com a marca inédita de 1,45 bilhão de toneladas movimentadas, segundo estimativas oficiais do Ministério de Portos e Aeroportos e da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ).

O resultado dá sequência a uma curva ascendente contínua nos últimos anos da série histórica do Estatístico Aquaviário: após registrar 1,21 bilhão de toneladas em 2021 e em 2022, o sistema portuário nacional subiu para 1,304 bilhão de toneladas em 2023, alcançou 1,32 bilhão de toneladas em 2024 e bateu o recorde fechado de 1,403 bilhão de toneladas em 2025 — um crescimento de 6,1% na comparação entre 2025 e 2024.

Os balanços mensais e regionais consolidados ao longo de 2026 confirmam a aceleração sobre a base já elevada do ano anterior. Logo em janeiro de 2026, os portos brasileiros movimentaram 104 milhões de toneladas, uma alta de 12,79% em relação a janeiro de 2025, com 68,7 milhões de toneladas nos Terminais de Uso Privado (TUPs) e 35,5 milhões de toneladas nos portos públicos organizados.

Em fevereiro de 2026, o volume somou 101 milhões de toneladas, avanço de 3,78% sobre fevereiro de 2025, dividido entre 67,7 milhões de toneladas nos terminais privados e 33,3 milhões nos portos públicos. No Porto de Santos, o maior complexo portuário da América Latina, a movimentação atingiu 92,8 milhões de toneladas no primeiro semestre de 2026 (alta de 5,05% frente ao primeiro semestre de 2025) e chegou a 125,9 milhões de toneladas no acumulado de janeiro a agosto de 2026, impulsionada pelos 16,38 milhões de toneladas embarcados e desembarcados apenas no mês de agosto.

Já nos terminais administrados pela Companhia das Docas do Estado da Bahia (Aratu-Candeias, Salvador e Ilhéus, além da gestão do Porto de Itajaí em Santa Catarina), o volume acumulado de janeiro a setembro de 2026 alcançou 15,8 milhões de toneladas, um salto de 22,49% em comparação com o mesmo período de janeiro a setembro de 2025, com destaque para Aratu-Candeias (6,1 milhões de toneladas) e Salvador (5,6 milhões de toneladas).

A comparação detalhada com o fechamento de 2025 mostra o peso de cada elo logístico e das principais mercadorias na pauta portuária. Do total recorde de 1,403 bilhão de toneladas registrado nos doze meses de 2025 frente ao 1,32 bilhão de toneladas de 2024, os Terminais de Uso Privado responderam por 906,1 milhões de toneladas (crescimento de 7,0% sobre 2024), enquanto os portos públicos organizados movimentaram 497,0 milhões de toneladas (alta de 4,5% sobre 2024).

Por tipo de carga em 2025, o minério de ferro manteve a liderança histórica com 425,8 milhões de toneladas (+6,6% ante 2024), seguido pelas cargas em contêineres com 164,6 milhões de toneladas (+7,2%), pela soja com 139,7 milhões de toneladas (salto de 14,0% sobre 2024) e pelos adubos e fertilizantes com 49,3 milhões de toneladas (+10,0%).

Para o fechamento de 2026, dentro da projeção total de 1,45 bilhão de toneladas — o que representará um avanço adicional de 3,3% sobre o recorde de 2025 e de 9,8% sobre o patamar de 2024 —, o Ministério de Portos e Aeroportos estima que a navegação de cabotagem alcance 233 milhões de toneladas e que o transporte pelas vias interiores (hidrovias) chegue a 162 milhões de toneladas.

O país dispõe de 8,5 mil quilômetros de costa navegável e vem ampliando o uso de rotas costeiras de contêineres e granéis entre o Sul, o Sudeste e o Nordeste para reduzir a dependência do transporte rodoviário e o consumo de óleo diesel por tonelada transportada. Na divisão regional dos corredores de exportação, Santos concentra a maior fatia de contêineres e o escoamento de açúcar, soja e café do interior paulista e do Triângulo Mineiro.

Paranaguá, no Paraná, lidera o embarque de grãos e farelo do Sul, enquanto o Porto do Itaqui, no Maranhão, consolidou-se como a principal saída do Arco Norte para a safra do Matopiba (fronteira agrícola que reúne Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) e para o minério de Carajás. No Nordeste, Suape, em Pernambuco, e Pecém, no Ceará, ampliam a movimentação de contêineres e granéis líquidos.

Em terra, a sustentação desse crescimento nos próximos anos depende da conexão ferroviária aos portos dentro do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC), que prevê mais de R$ 47 bilhões em obras prioritárias de escoamento. O avanço da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (FIOL) na Bahia, da Ferrovia Transnordestina em direção aos portos de Pecém e Suape e da Ferrovia Norte-Sul entre o Centro-Oeste e o Maranhão busca transferir cargas de longa distância do caminhão para o trilho, reduzindo o custo do frete e os gargalos nos acessos terrestres aos terminais marítimos.

Publicação Original Cafezinho ocafezinho.com
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