Porto revisa projeções e adota cautela com crédito em 2027

Porto revisa projeções e adota cautela com crédito em 2027 - Foto
Fonte da notícia: Valor Valor

A perspectiva de piora do cenário econômico em 2027 levou a Porto a reforçar as provisões para perdas de crédito e adotar uma postura mais conservadora na gestão dos negócios. Além de ampliar a cobertura no Porto Bank, a companhia pretende preservar a disciplina na precificação dos seguros, para proteger as margens em um ambiente de maior pressão sobre os custos.

“Os que conhecem e acompanham a companhia há um bom tempo devem concordar que esse movimento profilático não é surpreendente, dado o nosso histórico”, disse Paulo Kakinoff, diretor-presidente da Porto, em conferência com analistas sobre os resultados do terceiro trimestre. “Os nossos modelos preditivos apontam que o que hoje está sendo estabelecido como projeção do macroeconômico para 2027 terá um impacto no custo de crédito.”

Recentemente, a companhia revisou sua projeção de crescimento do PIB de 1% para zero em 2027, segundo Domingos Falavina, diretor de relações com investidores. A elevação da curva de juros nas últimas semanas contribuiu para a revisão das premissas para 2026, com impacto nas provisões e no resultado financeiro, disse.

Agora, a expectativa é que as perdas de crédito no Porto Bank fiquem entre R$ 3,4 bilhões e R$ 3,8 bilhões no ano, acima do intervalo anterior, de R$ 3,1 bilhões a R$ 3,5 bilhões. A receita total deve ficar entre R$ 7,5 bilhões e R$ 7,9 bilhões, ante a projeção de R$ 7,7 bilhões a R$ 8,1 bilhões.

A Porto também reduziu a expectativa de crescimento dos prêmios na Porto Saúde, de uma faixa entre 14% e 22% para entre 12% e 16%. O resultado financeiro deve ficar entre R$ 1,1 bilhão e R$ 1,5 bilhão, abaixo da faixa anterior, de R$ 1,4 bilhão a R$ 1,8 bilhão.

No terceiro trimestre, a Porto teve lucro líquido de R$ 839 milhões, alta de 1% na comparação anual. Em termos recorrentes, caiu 14%, para R$ 713 milhões, enquanto o retorno sobre o patrimônio líquido médio (ROAE) caiu 5,4 pontos, a 17,6%.

O resultado foi pressionado pela piora do resultado financeiro, pelas perdas de crédito no Porto Bank e pela maior sinistralidade em saúde. Com exceção da Porto Serviço, todas as verticais registraram queda no resultado líquido.

Na Porto Seguro, o recuo foi de 2%, a R$ 443 milhões; no Porto Bank, de 13%, a R$ 171 milhões; e na Porto Saúde, de 34%, a R$ 84 milhões. As receitas consolidadas cresceram 10%, a R$ 11 bilhões, com avanço em todas as divisões.

Para analistas, o ponto positivo foi o desempenho em seguros, cujas receitas e prêmios aumentaram 9%. O avanço foi puxado pelo ramo de automóveis, cuja receita cresceu 10%.

A carteira ganhou 264 mil veículos em um ano, alcançando uma frota de 6,5 milhões. Apesar dessa expansão, a Porto não vê espaço para flexibilizar significativamente os preços do seguro auto.

A companhia pretende manter a disciplina para preservar as margens, disse Celso Damadi, diretor financeiro. “Entramos em 2027 com safras super comportadas e bem estruturadas, mas não podemos perder a mão na precificação.

Não temos espaço para muito desconto de preço e temos que tomar muito cuidado com isso por causa da expectativa de inflação de peças, de mão de obras, para o próximo ano”, afirmou.

Publicação Original Valor valor.globo.com
Acessar no site oficial
Compartilhar: WhatsApp Facebook Telegram X
Curadoria e Apuração Editorial QTU Conteúdo jornalístico publicado em conformidade com os nossos Princípios Editoriais e política de transparência.
Conhecer a Redação →