Portela leva à Sapucaí a herança negra no Sul do Brasil e o enigma do Príncipe do Bará
A Portela vai à Avenida com “O mistério do príncipe do Bará — a oração do negrinho e a ressurreição de sua coroa sob o céu aberto do Rio Grande”, um recorte encadeado por uma fábula do Batuque, religião afro-brasileira de culto aos orixás, popular na região Sul do Brasil.
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A fábula que inspira o enredo traz dois personagens principais, o Negrinho do Pastoreio e o Bará (Exú), principal orixá do culto do Batuque. Segundo o carnavalesco André Rodrigues, esses personagens contarão um para o outro partes da negritude, a identidade negra, normalmente pouco identificada com o Sul do Brasil.
— O Negrinho fala da vida do Príncipe Custódio, enquanto o Bará lembra os ecos da vida dele. Dentro desses ecos estão manifestações culturais, místicas e de resistência negra. Assim, convidamos o público a conhecer feitos extraordinários de negros gaúchos, que o Brasil pouco conhece — revela André Rodrigues.
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O desfile contará com destaques como um carro que simbolizará o assentamento que o Príncipe Custódio realizou no mercado municipal de Porto Alegre (RS). O local até hoje é considerado um dos símbolos de resistência negra na região, e usado como ponto de encontro entre os dois personagens do enredo.
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As alas serão dedicadas a cada personagem negro do Sul: Custódio será representado por Jeronymo Patrocínio, histórico mestre-sala da Portela. Outro destaque é a forma como será apresentado o enredo: segundo André, "o final é uma releitura do começo".
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Ficha técnica
Presidente: Junior Escafura
Carnavalesco: André Rodrigues
Intérprete: Zé Paulo Sierra
Mestre-sala e porta-bandeira: Marlon Lamar e Squel Jorgea
Mestre de bateria: Vitinho
Rainha de bateria: Bianca Monteiro
Quando é o desfile da Portela em 2026?
A escola é a terceira a desfilar no domingo de carnaval, 15 de fevereiro. A previsão é que o desfile comece entre 00h55 e 1h15.
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Letra do samba enredo da Portela em 2026
"O mistério do Príncipe do Bará - a oração do Negrinho e a ressurreição de sua coroa sob o céu aberto do Rio Grande"
É Bará, É Bará, ôô!
Quem rege a sua coroa, Bará?
É o rei de Sapaktá
Aláfia do destino no Ifá!
Tem mistério que incandeia
Pro batuque começar
Sou mistério que incandeia
Pra Portela incorporar
Vai, Negrinho vai fazer libertação
Resgatar a tradição
Onde a África assenta
Ô, corre gira, vem revelar
O reino de Ajudá
O pampa é terra negra em sua essência
Alupo, meu Senhor, Alupô!
Vai ter xirê no toque do tambor
Alumia o Cruzeiro chave de encruzilhada
É macumba de Custódio no romper da madrugada
Curandeiro, feiticeiro
Batuqueiro precursor
Pôs a nata no gongá (ô, iaiá!)
Fundamento em seu terreiro
Resiste a fé no orixá
Da crença no mercado
Ao rito do Rosário
Ainda segue vivo o seu legado
Portela tu és o próprio trono de Zumbi
Do samba, a majestade em cada ori
Yalorixá de todo axé
Enquanto houver um pastoreio
A chama não apagará
Não há demanda que o povo preto não possa enfrentar
Ae Oni Bará! Ae Babá Lodê!
A Portela reunida carregada no dendê
Sob o céu do Rio Grande
Tem reza pra abençoar
O príncipe herdeiro da coroa de Bará!
Composição: Valtinho Botafogo / Raphael Gravino / Gabriel Simões / Braga / Cacau Oliveira / Miguel Cunha / Dona Madalena.
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