Porta-aviões francês a caminho do Irã é localizado em tempo real através aplicativo de esportes; entenda
A guerra do Irã, iniciada há cerca de três semanas com os ataques realizados pelos Estados Unidos e Israel, tem mostrado como informações aliadas aos avanços tecnológicos são determinantes para o enfrentamento. Neste cenário, o jornal francês Le Monde descobriu uma falha de segurança entre a tripulação que está a bordo do porta-aviões Charles-de-Gaulle, a caminho das águas do país persa. Não é mistério que a embarcação seguiria esse rumo, uma vez que o próprio governo divulgou essa ação, mas a localização em tempo real tem sido exposta por falha de um dos militares embarcados, aponta a reportagem publicada nesta quinta-feira (19).
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De acordo com o levantamento do Le Monde, um militar (que foi chamado pelo nome fictício de Arthur) se exercitou no convés do porta-aviões da Marinha da França, dando voltas correndo, com pouco mais de 7 quilômetros percorridos em trinta e cinco minutos, no último dia 13. O registro foi feito pelo smartwatch que usava, e os dados coletados foram enviados para a internet, dando a localização praticamente em tempo real de onde estavam no Mar Mediterrâneo através do aplicativo de esportes Strava, em que o militar mantém um perfil aberto a todos.
A França enviou, além do porta-aviões, três fragatas e um navio de abastecimento. O presidente Emmanuel Macron anunciou, no último dia 3, que a frota seria mandada para as águas do Irã. O problema envolvendo o registro feito pelo militar é quanto aos riscos que as embarcações possam ser localizadas e transformadas em alvo. Desde o início da guerra, o Irã tem reagido aos ataques feitos por Israel e Estados Unidos mirando pontos estratégicos ligados a eles, como bases militares norte-americanas em países árabes vizinhos e instalações no estado judeu. Bases de nações aliadas aos dois responsáveis por iniciar a guerra também são alvos.
O Le Monde acessou a conta Strava de Arthur e conseguiu reconstruir a tragetória do militar antes mesmo de ele embarcar. Segundo os registros na plataforma, em 14 de fevereiro, uma atividade localizada de "corrida" no mar levou o marinheiro à costa da Península de Cotentin, a 40 quilômetros de Cherbourg, na França. Nos dias 26 e 27 do mês passado, ele estava em terra em Copenhague, na Dinamarca, quando =o porta-aviões estava atracado em Malmö, na Suécia, do outro lado do Estreito. E em 13 de março, o militar estava a noroeste de Chipre.
Ainda segundo a reportagem, foi possível ver o mesmo tipo de registro de outros marinheiros também pelo Strava. Um outro militar a bordo de um navio da Marinha Francesa publicou, nos últimos dias, fotos de suas atividades esportivas, revelando a localização do navio. Outros perfis públicos também apresentam fotos do convés.
O Estado-Maior das Forças Armadas Francesas respondeu ao jornal francês que a publicação desse percurso de corrida no aplicativo Strava "não está em conformidade com os regulamentos vigentes", dos quais "os marinheiros são regularmente informados". Dado que a "higiene digital para combatentes" é um "pré-requisito antes de qualquer missão ", o Estado-Maior assegurou que "as medidas apropriadas serão tomadas pelo comando".
