Porco há 40 anos: como o Palmeiras fez um apelido ofensivo virar identidade

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Fonte da notícia: D24am D24am

São Paulo – No ano de 1986, na virada de outubro para novembro, o Palmeiras passou por mais uma de suas metamorfoses e transformou um apelido, até então ofensivo, em uma nova identidade. (Foto: Divulgação / Palmeiras)

Antes disso, palmeirense era “porco” por outro motivo, que começou em 1968, com uma tragédia corintiana. Em um acidente de carro fatal, o rival alvinegro tinha perdido dois de seus jogadores mais importantes e tentou inscrever outros dois, mas, para isso, todos os outros clubes teriam que concordar, e só o Palmeiras disse “não”.

Na ocasião, um jornalista teria xingado de “porco” o dirigente palmeirense que comunicou a decisão e, dali em diante, os rivais adotaram o pejorativo suíno como ofensa ao time do Parque Antártica, apelidado “Torresmão”. A ofensa não era pouca coisa: “porco” era como chamavam os fascistas durante a Segunda Guerra Mundial, a guerra que fez o Palestra Itália mudar seu nome para Palmeiras.

Processo lento Em 1983, o então gerente de marketing do clube, João Roberto Gobbato, teve essa ideia de que o Palmeiras deveria adotar o “porco”, inclusive transformando-o em mascote do clube

A ideia foi imediatamente rechaçada pela velha guarda da cartolagem palmeirense, mas foi ganhando cada vez mais força entre os torcedores do clube. Uma das torcidas organizadas começou a comercializar porquinhos de porcelana, que foram um sucesso de vendas e renderam bons argumentos a Gobatto, que insistiu na mudança.

Para a torcida, no entanto, a mudança já estava feita. Grito da arquibancada

Em 1986, o Palmeiras estava sem ganhar títulos havia dez anos e poderia ter saído da incômoda fila em setembro daquele ano, mas perdeu a final do Campeonato Paulista para a modesta Inter de Limeira. O fracasso gerou revolta, e essa revolta transformou o porco em uma espécie de símbolo de modernidade e mudança diante do conservadorismo que mantinha o clube naquele jejum de títulos.

Até ali, o mascote do Palmeiras era um simpático periquito, que, para o momento que o clube vivia, parecia elitizado, mais apropriado para os senhores nas quadras de tênis do clube, do que para a torcida alviverde. Clássico da Saudade

Foi no dia 29 de outubro de 1986, no Pacaembu, que a torcida do Palmeiras soltou o canto de “E dá-lhe porco… E dá-lhe porco… Olê… Olê… Olê” pela primeira vez. Naquela quarta-feira, o Palmeiras venceu o Santos por 1 a 0, com gol de Mirandinha, artilheiro do time e ídolo da torcida.

No jogo seguinte, contra o São Paulo, dia 1º de novembro, exatos 40 anos atrás, já tinha torcedor levando porco vivo no gramado e, em bandeiras e máscaras, o novo mascote já era unanimidade. Naquele mesmo mês, a revista Placar deu capa para um porco, nos braços do meia Jorginho Putinatti, símbolo do Palmeiras da década de 1980, e, dali em diante, não tinha mais como voltar atrás.

Em entrevista para uma publicação do Palmeiras, o meia lembrou do episódio: “Um olhava para o outro e dizia: vai ser porco agora? Vamos abraçar a ideia, então.

A gente ficava bravo quando os adversários falavam. Até que teve um clássico, em 86, e, quando entramos em campo, começou o ‘Dá-lhe Porco’.

O sentimento geral do grupo foi bom. Achávamos até que seria um fato novo para brigar pelo título”, recordou Jorginho.

“Iríamos dar a volta olímpica com o porco”. Esse porco tem nome!

Demorou trinta anos, mas, em 2016, o Palmeiras oficializou o porco como mascote do time em sua versão definitiva: com cara de bravo, dentes de javali e o nome daquele que teve a ideia original: Gobatto. Ninguém pode dizer que a mudança não representou sucesso.

Nesses dez anos, de lá para cá, o Palmeiras ganhou 14 títulos. Foi cinco vezes campeão paulista, quatro vezes campeão brasileiro, ganhou duas Libertadores e mais uma Copa do Brasil (2020), uma Supercopa do Brasil (2023) e uma Recopa Sul-Americana (2022).

Isso, sem contar os três títulos que pode ganhar ainda neste ano de 2026, quando o grito de “porco” completa 40 anos.

Publicação Original D24am d24am.com
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