Há momentos em que uma pessoa sente que está sendo observada, se vira e descobre que, de fato, outra pessoa estava olhando em sua direção.
A experiência pode parecer uma espécie de intuição ou "sexto sentido", mas a ciência oferece explicações relacionadas à percepção e à atenção.
Eclipse lunar: neurologista explica a ciência por trás dos mitos lunares e sua influência no sono
Em procedimento inédito, médico no Chile opera à distância paciente com câncer de próstata em Goiás
O fenômeno é conhecido como escopoestesia e tem atraído a atenção de pesquisadores há mais de um século.
Em 1898, o psicólogo Edward Titchener estudou essa sensação e a relacionou à preocupação com o que acontece fora do campo de visão.
O cérebro detecta mais do que aparenta
Uma possível explicação reside na capacidade do cérebro de processar sinais ambientais sem que a pessoa esteja totalmente consciente deles.
Um movimento, uma mudança de posição ou o som de alguém se aproximando podem ser suficientes para desencadear uma sensação de alerta.
A visão periférica também desempenha um papel importante.
Embora não nos permita observar detalhes com a mesma precisão que a visão central, é especialmente útil para detectar movimentos e mudanças no ambiente ao nosso redor.
Por exemplo, uma pessoa pode perceber inconscientemente que alguém virou a cabeça ou olhou em sua direção.
Essa informação pode ser processada pelo cérebro antes de se tornar uma percepção consciente.
Além disso, existe o que se conhece como atenção exógena, que nos permite reagir automaticamente a estímulos repentinos ou mudanças no ambiente.
Essa é uma capacidade relacionada à vigilância, que pode ter sido importante para detectar ameaças potenciais.
Existe mesmo um sexto sentido?
Até o momento, não há evidências científicas sólidas que sugiram que os humanos possuam uma capacidade extrassensorial para detectar quando estão sendo observados.
Um artigo publicado pelo site 'The Conversation' destaca justamente a ausência de provas conclusivas de tal habilidade especial.
Além disso, o contato visual tem um peso particular nas relações humanas.
Desde cedo, as pessoas aprendem a interpretar para onde os outros estão olhando e o que um olhar pode significar, seja interesse, atenção, curiosidade ou ameaça.
O viés de confirmação também pode desempenhar um papel.
Quando alguém acredita que está sendo observado, pode prestar mais atenção a gestos ou movimentos que confirmem essa impressão e, principalmente, lembrar-se das vezes em que estava certo.
Assim, o que parece ser um sexto sentido pode ser o resultado de diversos processos cerebrais que ocorrem rapidamente e, em parte, fora da consciência.
O cérebro capta sinais do ambiente, interpreta-os e gera uma resposta mesmo antes que a pessoa consiga explicar por que sentiu que estava sendo observada.
Galerias Relacionadas
