Por que Taiwan compete como \'Taipei Chinês\' nas Olimpíadas?

 

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Quem já assistiu uma cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos costuma estranhar: nem todo país que desfila aparece no mapa-múndi. Seja pelo nome diferente ou pela própria independência -- que existe no esporte, mas não geopoliticamente -- algumas delegações não batem. Este é o caso de Taiwan, que nesta edição das Olimpíadas desfila e compete sob o nome de “Taipei Chinês”.

A escolha é política e nasce de um acordo com o Comitê Olímpico Internacional (COI) para permitir a participação dos atletas taiwaneses nas competições -- separados da China.

O impasse remonta ao fim da guerra civil chinesa, em 1949, quando o governo nacionalista se refugiou em Taiwan e manteve o nome República da China (ROC), enquanto no continente foi proclamada a República Popular da China (RPC), sob controle comunista. Desde então, Pequim e Taipei disputam legitimidade sobre quem representa a “China”.

Durante décadas, essa disputa se refletiu diretamente no esporte. Em diferentes edições dos Jogos, Taiwan competiu com nomes variados — como “China”, “Formosa”, “Taiwan” e “República da China” — e até chegou a boicotar sua ida às Olimpíadas por causa da controvérsia.

A virada veio no fim dos anos 1970. Em 1979, o COI reconheceu o comitê olímpico de Pequim como representante oficial da China. Para que Taiwan não ficasse fora, foi costurado um arranjo político-esportivo. Em 1981, no chamado Acordo de Lausanne, ficou definido que a ilha participaria sob o nome “Chinese Taipei” -- o Taipei Chinês.

Pelas regras acertadas:

A delegação não pode usar o nome “Taiwan” nem “República da China” nos Jogos;

A bandeira oficial taiwanesa não é exibida;

O hino nacional não é tocado no pódio;

No lugar, é usada uma bandeira própria, conhecida como "Plum Blossom Banner", com os anéis olímpicos;

Uma canção especial substitui o hino.

O nome segue sendo alvo de debate interno. Em 2018, Taiwan realizou um referendo para tentar competir como “Taiwan” nas Olimpíadas, mas a proposta foi rejeitada -- em parte porque atletas temiam punições e até exclusão dos Jogos.