Por que o Tiranossauro Rex tinha braços curtos? A ciência decifrou
Um dos animais mais ferozes a passar pela Terra tinha uma característica marcante: os braços curtos.
Com cerca de 90 centímetros de comprimento, os braços do Tiranossauro Rex tinham menos de um terço do comprimento das pernas do dinossauro e pareciam visivelmente desproporcionais em um corpo que podia atingir mais de 12 metros de comprimento em adultos.
Ao longo de mais de meio século, cientistas debatem o motivo pelo qual o mais poderoso dos dinossauros tinha braços tão diminutos. As teorias são várias, incluindo uma que apontava que os braços eram apenas vestigiais — não tinham nenhuma função prática e, portanto, encolheram — e uma outra que afirmava que os braços eram curtos para não serem mordidos pelo próprio animal, conhecido pela voracidade, durante um frenesi alimentar.
Cientistas acreditam, agora, ter chegado ao fim do debate. Um novo estudo publicado neste mês na revista "Proceedings of the Royal Society B" analsiou 85 espécies de dinossauros e concluiu que os braços pequenos foram uma compensação evolutiva causada pelo aumento de tamanho de outra parte do corpo, que passou a consumir mais recursos: o crânio, com mandíbula esmagadora. Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores mediram os membros anteriores e os ossos do crânio do conjunto de 85 espécies, usando fósseis e dados da literatura científica existente.
"Se você é um dinossauro com um crânio muito robusto, provavelmente terá membros anteriores muito pequenos. E não importa muito o seu tamanho — você pode pesar 1 tonelada ou 10 toneladas. Se você tem um crânio forte, terá braços relativamente pequenos", disse Charlie Roger Scherer, doutorando do departamento de Ciências da Terra do University College London e principal autor do estudo.
A razão é que "a evolução não gosta de ter tudo ao mesmo tempo", como disse Scherer, porque tende a priorizar uma coisa em detrimento de outra.
"Se você quer se concentrar em usar a cabeça para abater grandes presas, não vai querer se esforçar muito para manter os braços longos e com garras, porque provavelmente não vai precisar disso. Então, a evolução meio que diz: Não precisamos mais dos braços, então vamos encolhê-los e investir mais energia em manter o crânio forte e usá-lo como arma principal", explicou Scherer.
Tiranossauro Rex
AFP
Os cientistas desenvolveram uma nova maneira de quantificar a resistência do crânio, analisando fatores como tamanho geral, como os ossos se encaixam e a força da mordida. Isso permitiu que eles organizassem cada crânio em uma escala. Não surpreendentemente, o T. rex obteve a pontuação mais alta, seguido pelo Tyrannotitan, outro carnívoro gigantesco que viveu no que hoje é a Argentina durante o Cretáceo Inferior, cerca de 30 milhões de anos antes do Tiranossauro Rex.
Além dos tiranossaurídeos, grupo que inclui o T. rex e seus parentes, os pesquisadores encontraram a correlação entre crânios grandes e fortes e membros anteriores pequenos em outros quatro grupos de dinossauros — ceratossaurídeos, megalossaurídeos, abelissaurídeos e carcarodontossaurídeos — todos grandes carnívoros bípedes.
Esqueleto de Tiranossauro Rex
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A nova análise sugere que a redução dos membros não foi uma coincidência, mas uma característica evolutiva que ocorreu em diferentes espécies não relacionadas ao longo de um extenso período.
Mas o processo não foi o mesmo entre as espécies. Alguns dinossauros começaram a evolução diminuindo o tamanho dos dedos, enquanto outros priorizaram o encurtamento do antebraço.
"Há sempre um fator comum, que é o fato de todos eles caçarem animais que exigiam um pouco mais de força para serem abatidos, e é por isso que desenvolveram aquele crânio muito forte. Tudo era abordado de cabeça, então a cabeça se tornou o que entrava em contato com a presa, e essa era a maneira mais fácil de abatê-las, em vez de pular ou lutar com garras", afirmou Scherer.
O Tiranossauro Rex viveu durante o final do período Cretáceo, entre 68 e 66 milhões de anos atrás. Esse período foi a última parte da Era Mesozoica, conhecida como a "Era dos Dinossauros"), e o T-Rex foi um dos últimos dinossauros a habitar a Terra antes de sua extinção em massa. Um estudo anterior apontou que as orelhas e o cérebro foram cruciais para o domínio dos tiranossauros.
